Da Página do MST

 

Nós do MST - MS viemos divulgar resposta às declarações da deputada federal, Tereza Cristina (PSB), sobre afirmações deturpadas que a mesma divulgou à imprensa, relativas ao acampamento Olga Benário, localizado às margens da BR 262, entre Campo Grande e Terenos.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o acampamento Olga Benário foi erguido à margem da Rodovia Federal para denunciar que somos milhares de famílias Sem Terra, aguardando a Reforma Agrária, há mais de dez anos no MS. A mesma se encontra paralisada por conta de um Congresso Federal formado por deputados e senadores conservadores, reacionários e latifundiários, que só possuem compromisso com eles próprios. 


No mesmo local onde está o acampamento Olga Benário, já haviam outros dois acampamentos de luta pela reforma agrária de diferentes entidades aos quais o MST juntou-se para fortalecer a luta e garantir maior segurança às famílias, constantemente atacadas por capangas de latifundiários. 


O recente episódio de Quedas do Iguaçu (PR), no qual dois companheiros foram mortos e mais sete ficaram feridos em uma emboscada armada pela polícia e seguranças contratados da madeireira Araupel, não é fato isolado. Pelo contrário, o ataque é resultado de uma disputa de classe que se repete, como aconteceu na ocupação da propriedade Saco do Céu, em Nova Andradina, onde fomos atacados diversas vezes pela milícia que se encontrava no local.


Diante desses fatos recorrentes, repudiamos a declaração da deputada que disse: “sinto-me muito firme. Não mudo minha opinião por nada. Mas isso que está ocorrendo é um desrespeito à Constituição. É uma ameaça". 

 

Senhora deputada, são nossas famílias, crianças, idosos, homens e mulheres de bem que são constantemente ameaçados por estarem lutando por uma vida mais digna, por um pedaço de chão para garantir a soberania alimentar de todos. Não somos nós os agressores da Constituição Federal. 


Quem não cumpre a constituição é a nobre parlamentar. Tereza Cristina é sub-relatora da CPI da Funai/Incra na câmara federal e também compõe a bancada ruralista. Em recentes declarações, ressaltou que “há dezenas de fazendas improdutivas na região que poderiam ser desapropriadas pelo Incra para assentamento”. 


Se isso é verdade, perguntamos: por que ela não está cumprindo com seus deveres como parlamentar federal, indicando tais propriedades ao Incra para fins de reforma agrária, como prevê a Constituição e o Estatuto da Terra? 


Se a deputada compõe uma CPI que visa investigar as ações do órgão federal, ela deveria colaborar para resolver o conflito da questão agrária no Mato Grosso do Sul, que vem se arrastando sem solução há décadas. 
Somos contra a corrupção em qualquer instância do nosso país e estamos sim fazendo a luta contra a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) de paralisar a reforma agrária.


Que os responsáveis sejam investigados e punidos! O que não podemos permitir é que se paralise a reforma agrária no país, enquanto o processo se desenrola com a morosidade costumeira. São milhares de famílias passando fome em seus barracos de lona, às margens da rodovia.


Ressaltamos que temos lado na disputa política que vem sendo travada nacionalmente no Brasil. Somos contrários ao impeachment da presidenta da república, Dilma Rousseff, porque estamos do lado da democracia. Por isso, nos espantou a deputada declarar que seu voto seria pró-impeachment por conta de nosso acampamento. Isso não é verdade. 


Golpistas não passarão!