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Por Danielle Mello
Da Página do MST


Na última quarta-feira (06), cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras de movimentos da Via Campesina e organizações sindicais saíram em marcha pelas ruas da capital Capixaba, Vitória. A concentração foi realizada na Praça Jucutuquara e depois seguiu até o Palácio da Anchieta, onde tiveram uma audiência com o governo do estado e alguns secretários.


Após duas horas de atraso e muita pressão, o Governador Paulo Hartug, recebeu em audiência os representantes da comissão para discussão da pauta dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.


A mesma reunião já havia sido agendada no dia 28 de março, porém, em virtude da agenda do PMDB frente às atuais movimentações políticas no cenário nacional, ela foi remarcada.


Esteve presente na audiência com os representantes dos movimentos populares, o governador Paulo Hartung e os secretários de agricultura, Otacílio Neto, de direitos humanos, Júlio e o secretário da Casa Civil, Paulo Roberto.


De acordo, Fátima Ribeiro, do MST, a atitude do Governador foi a de descaso com os movimentos. Primeiro, retrucou a participação dos movimentos urbanos, ao afirmar que estava ali para ouvir os movimentos rurais. Depois ao ouvir a pauta, disse que o estado passava por uma crise que atendê-la seria inviável, e se retirou da audiência.


Já Valmir Noventa, do MPA, avaliou o momento de forma geral, e salientou que a força dos trabalhadores do campo e da cidade ao se mobilizar em conjunto, mexeu com a estrutura do governo.


“O governador do estado não receberia os trabalhadores se não fosse a organização. Ele não nos desrespeitou como pessoas, mas como classe social organizada. Chefe de estado tem que saber negociar, saber considerar todos os conflitos.”


As pautas


Desde novembro de 2015, os trabalhadores e trabalhadoras buscam interlocução com governo. Chegaram a ocupar a Superintendência de São Mateus, a SEDU, por vinte e cinco dias, e a ocupar o Palácio Anchieta no dia Internacional da Mulher (08/03), até que por fim, o governador resolveu atender os trabalhadores.


Uma comissão foi organizada para que viabilizasse os pontos da pauta, que inclui o reconhecimento e responsabilidade do Estado pelos prejuízos em função da Seca no estado, reconhecimento da pedagogia de alternância enquanto proposta pedagógica, a implantação de politicas estaduais para Reforma Agrária e politicas favoráveis a produção de alimentação saudável. Além do fim da violência e da criminalização da pobreza, bem como a implantação de politicas publicas preventivas e compensatórias de combate ao racismo e a opressão de gênero.


Os Movimentos denunciaram ainda o crime ambiental e social da Samarco,Vale e BHP; a expansão da monocultura de eucalipto que avança sobre as terras agricultáveis e o fechamento das escolas do campo e da cidade.