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Da Página do MST

 

Sem Terra participaram na tarde desta segunda-feira (4), de uma audiência para buscar soluções para o conflito na Fazenda Santa Maria, ocupada no dia 18 de março por cerca de 4500 pessoas do MST.


A ocupação ocorreu para denunciar o desvio de recursos públicos e reivindicar à área para a Reforma Agrária.


A audiência contou com a participação do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nilton Bezerra Guedes, do Secretário especial de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do prefeito de Santa Terezinha, Valdecir Ferens e de membros do MST.


Para Diego Moreira, da coordenação estadual do MST, a audiência foi bastante positiva e agora é preciso manter uma mesa de dialogo permanente.


“Saímos com alguns encaminhamentos, entre eles a proposta de cancelamento da reintegração de posse, até que venha a público o resultado das investigações sobre a área e a resposta do proprietário mediante a proposta de compra. Ficou combinado também que os órgãos ambientais vão poder desenvolver seu trabalho na área de preservação ambiental, no corredor da biodiversidade, para que não haja nenhum prejuízo ambiental, além disso, o Incra deverá abrir um edital de compra de terras na região”, explica Moreira.


Suspeita-se que a área ocupada pelos Sem Terra seja de posse dos irmãos Licínio de Oliveira Machado Filho, presidente da Etesco e Sérgio Luiz Cabral de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, ambos envolvidos no desvio de dinheiro público na Petrobrás, citados nas delações do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Moura durante as investigações da Operação Lava Jato.


Licínio foi delatado como o homem que indicou Renato Duque para diretor de Serviços da Petrobrás. Com a indicação a Etesco passou a ter uma participação maior nos contratos da Petrobrás e, assim,  pagar propina para Fernando Moura.


A fazenda Santa Maria tem uma área total de 1750 hectares, sendo 500 hectares de reserva legal e mata ciliar, 300 hectares de agricultura e 900 hectares de pastagem para gado de corte. A fazenda possui ainda uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 242 hectares que faz parte do Corredor da Biodiversidade Santa Maria.


Foram encontrados na área ocupada pelo MST alguns equipamentos e materiais que apontam a suspeita de desvio de recursos dos cofres públicos, como: um guindaste para 100 toneladas - com a inscrição soldada na haste ‘ESC 14’-, que pode indicar ser um maquinário da plataforma da Petrobrás e canos galvanizados revestidos com emborrachamento próprio para serem usados em profundidade.


No Paraná, são mais de 12 mil Sem Terra acampados em 80 áreas.

 

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