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Por Hildebrando Silva
Da Página do MST


De 21 a 24 de março, acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), a primeira banca de defesa de dissertações de mestrado.


Essa primeira experiência é fruto de uma parceria entre a ENFF e universidades públicas com programas de pós - graduação que se vinculam as demandas dos estudantes do campo, assentados, acampados, quilombolas, agricultores familiares do Brasil e da América Latina.


Segundo Djacira Araújo, da coordenação do programa e da escola, a iniciativa é um marco na luta dos trabalhadores do campo, pelo acesso e o direito ao ensino superior e pela democratização das universidades.


"Essa primeira realização de bancas de mestrado em uma escola da classe trabalhadora, reafirma o reconhecimento dos trabalhadores camponeses, como produtores de conhecimento e como estudantes com direito a escolarização em todos os níveis", afirma.


A primeira turma a defender o mestrado na ENFF foi batizada de José Carlos Mariátegui, é constituída de 39 alunos de comunidades camponesas do Peru, Brasil, Colômbia e Argentina. Os estudantes brasileiros são oriundos das áreas de Reforma Agrária em diversos estados.


O programa que já é uma parceria consolidada se destaca pelas contribuições na formação dos pesquisadores que atuam em territórios camponeses e nas áreas de Reforma Agrária, abrangendo temas e problemáticas de pesquisa, como educação saúde, cultura, capitalismo, campesinato, tecnologias e meio ambiente.


Djacira Araújo, também ressalta, que apesar da dificuldade na trajetória da educação brasileira em negar o acesso da população do campo as universidades, essa experiencia é inovadora e exitosa, tanto no que diz respeito os índices de conclusão dos trabalhos quanto no que diz respeito a apropriação e produção de conhecimentos.


"A qualidade e o aprofundamento dos estudos apresentados nas bancas de defesa, revelam o alto nível de aprendizados e de elaborações trazidas pelos estudantes, muitos destes trabalhos abarcam estudos que aprofundam e apontam questões cientificas para a compreensão da dinâmica da América Látina e caribe como um todo", diz. 


O Programa


O Programa de Pós – Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe (TerritoriAL) é fruto da tradição da UNESP em pesquisa e extensão sobre a questão agrária e, recentemente, do progresso da geografia agrária no campus de Presidente Prudente, com os trabalhos do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA) e do  Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGET).


Em 2007, iniciamos na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), um Curso Especial de Geografia a partir de convênio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma agrária (INCRA) com apoio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), da Via Campesina e da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). Em 2011, quarenta e seis assentados concluíram o bacharelado e a licenciatura em Geografia, que passaram a atuar em suas comunidades e movimentos sócioterritoriais, assumindo responsabilidades compatíveis com suas formações.


Durante a realização do curso de graduação em Geografia, o então reitor Marcos Macari propôs um acordo de cooperação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP) com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), para a criação de uma Cátedra que atuasse nas áreas da educação do campo e do desenvolvimento territorial.


Em 2009, o acordo foi assinado pelas instituições e a UNESP criou, em São Paulo, a Cátedra UNESCO de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial. Sua missão é colocar em ação as metas do Marco Estratégico da UNESCO no Brasil. A Cátedra visa contribuir para a melhoria da qualidade da vida das populações camponesas.