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Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Fotos: Leandro Molina


A colheita simbólica de 50 sacas de arroz marcou a 13ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz Agroecológico, realizada na última sexta-feira (18) pelo MST do Rio Grande do Sul, no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre. O evento reuniu cerca de 1.500 pessoas, entre assentados e acampados de todo o estado e apoiadores do Movimento.


Anterior à colheita, às margens da lavoura, o assentado e coordenador da Associação de Moradores do Assentamento Filhos de Sepé (AASIF), Moisés de Moura resgatou a história do assentamento, que em dezembro deste ano completa 18 anos e é considerado Território Livre de Transgênicos e de Agrotóxicos.


Ele também falou sobre a luta por democratização da terra e a produção de alimentos no local, que hoje está direcionada para frutas, hortaliças, panifícios e arroz.


“Nós somos a prova de que a Reforma Agrária dá certo. Hoje, com a organização do MST e do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico temos todas as ferramentas necessárias para poder produzir e levar alimentos saudáveis às famílias do campo e da cidade”, disse.


Para a safra 2015/2016 a estimativa dos assentados de Viamão é colher 125 mil sacas, numa área plantada de 1.600 hectares. Já em todo o estado, a expectativa é colher em tono de 480 mil sacas de arroz, entre grãos e sementes.


O alimento é produzido por 556 famílias, em 17 assentamentos e 13 municípios. O MST é conhecido hoje como o maior produtor de arroz agroecológico do Brasil.


Ato solene


Após a abertura oficial da colheita na lavoura, na Sede Comunitária do Setor A do assentamento foi realizado um ato solene com a presença de autoridades do município de Viamão, além dos ex-governadores do Rio Grande o Sul, Tarso Genro e Olívio Dutra, lideranças de outros movimentos populares e representantes dos governos estadual e federal.


Tarso Genro apresentou elementos da atual conjuntura política do Brasil. Segundo ele, há uma forte mobilização da grande mídia, do poder judiciário e dos setores conservadores da sociedade e da política brasileira “para a retirada da presidente Dilma Rousseff de um governo que foi legitimamente eleito nas urnas”.


“Sabemos das limitações deste governo e dos problemas que estamos vivendo no país, seja na reforma agrária, na saúde ou educação. Mas a direita usa da mídia e do judiciário para impedir a presidente que não cometeu nenhum crime. Querem pressioná-la para tirá-la do poder e isso se chama golpe”, destacou Genro.


Ele também acrescentou que a atual conjuntura política se assemelha à de 1964, quando foi instalada com a intervenção de organizações internacionais a ditadura militar no Brasil.


“O golpe de hoje é mais complexo. Ele se vale da mídia para convencer que os problemas da sociedade brasileira iniciaram no governo Lula. Isso é uma farsa, no governo Lula é que começou a se investigar escândalos de corrupção.


Agora é momento de mobilização, vigilância e de firmeza, porque boa parte das pessoas que estão nas ruas hoje tem mentalidade fascista e autoritária. Se acontecer o golpe, as primeiras vítimas serão os movimentos populares camponeses.


O fascismo não tolera a oposição. Precisamos de um projeto que realmente combata as desigualdades sociais, com participação de renda, popular e do Estado”, argumentou.


O superintendente regional do Incra, Roberto Ramos, representando o governo federal, declarou que mais de 90% da produção agroecológica do RS vem de assentamentos do MST e que o arroz produzido pelas famílias assentadas é um dos principais produtos da reforma agrária.


“Para nós, apoiadores da reforma agrária, é uma grande honra ter dentro dos assentamentos famílias envolvidas na produção de arroz. Que esta seja uma colheita farta e que a produção agroecológica sirva para manter erguidas nossas bandeiras de lutas e para preservarmos tudo o que construímos nos últimos anos”, afirmou.


O dirigente estadual do MST, Cedenir de Oliveira, complementou que a produção de arroz agroecológico faz parte da estratégia da Reforma Agrária Popular, adotada pelos Sem Terra nos últimos anos e que tem entre seus objetivos principais a soberania alimentar.


“Não basta dividirmos os latifúndios e garantir terra para quem nela quer trabalhar. É importante construirmos um modelo de produção diferenciado daquele que está aí e debatermos com a sociedade essas questões. Hoje, nós estamos comprovando que é possível, sim, produzirmos um alimento mais saudável e sem o uso de agrotóxicos”, concluiu.

 

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