Por Gustavo Marinho
Da página do MST


O MST lançou na manhã de hoje (14) uma nota pública em solidariedade à comunidade Batista do bairro do Pinheiro, em Maceió, estado de Alagoas, em apoio aos Pastores Wellington e Odja Barros, que vêm recebendo ataques e ameaças pela aceitação de homossexuais como membros da igreja.


O Movimento destaca o respeito e confiança na história dos pastores que sempre estiveram lado a lado das organizações populares de Alagoas, na luta contra toda forma de injustiça e exploração.


Segundo trecho da nota, a trajetória dos pastores frente à comunidade reforça a necessidade do Movimento afirmar seu apoio e solidariedade.


“Tais posições, colocam-nos na responsabilidade e compromisso de externar nossa solidariedade ao companheiro Pastor Wellington e a companheira Pastora Odja, bem como nosso repúdio aos ataques por diversos meios, de caráter intolerante, homofóbico e excludente, que se diferenciam dos valores dos e das que querem construir outro tipo de sociedade, guiada pelo respeito, justiça e igualdade”, afirma.


Confira a nota na íntegra:


NOTA EM SOLIDARIEDADE A COMUNIDADE BATISTA DO PINHEIRO


“Malditas sejam todas as cercas que nos privam de viver e de amar!”


O Movimento dos Trabalhadores  Rurais Sem Terra (MST) vem à público manifestar apoio e solidariedade ao Pastor Wellington Santos e Pastora Odja Barros, diante dos recentes ataques e ofensas que vêm sofrendo em virtude da formalização da aceitação de pessoas homoafetivas como membros da Igreja Batista do Pinheiro em Maceió, Alagoas.


Reconhecemos que foi uma decisão histórica e corajosa tomada pelos membros dessa comunidade cristã. Compartilhamos de um profundo respeito, admiração e confiança à trajetória da Comunidade Batista do Pinheiro, em que, historicamente, se coloca como aguerrida defensora dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e contra todas as formas de injustiça social em nosso estado.


Essa Igreja, atualmente liderada pelo pastor Wellington Santos e pela pastora Odja Barros, vêm caminhando lado a lado com o povo, sendo protagonistas na defesa da igualdade social, contra a intolerância, o preconceito e toda forma de violência ao povo alagoano, jamais se furtando do acolhimento e da solidariedade aos movimentos sociais.


É importante lembrar que a intolerância mata todos os dias dezenas de pessoas, posicionando Alagoas como o estado mais perigoso para jovens negros, o terceiro mais perigoso para as mulheres e o quinto estado no Brasil mais perigoso para homossexuais viverem. No Nordeste, lidera o ranking de assassinatos por homofobia, colocando esta como uma questão urgente para a reflexão e ação das organizações sociais e populares, do Estado e também da Igreja.


Diante desses índices, o Pastor Wellington e a Pastora Odja, com o apoio da membresia da Igreja Batista do Pinheiro, têm assumido uma importante postura no conjunto da sociedade alagoana, em que podemos citar, por exemplo, o recente fato de a Igreja ter publicizado uma nota contra os ataques de intolerância religiosa dirigidos aos grupos de matriz africana por segmentos evangélicos.


Tais posições, colocam-nos na responsabilidade e compromisso de externar nossa solidariedade ao companheiro Pastor Wellington e a companheira Pastora Odja e a toda comunidade da Igreja Batista do Pinheiro, e afirmar nosso repúdio aos ataques dirigidos à eles, por diversos meios, de caráter intolerante, homofóbico e excludente, que diferenciam-se dos valores do respeito, justiça e igualdade, fundamentais entre aqueles e aquelas que almejam construir um outro tipo de sociedade, pautada nos ensinamentos paulinos de permanecermos “na fé, na esperança e no amor”.


Somos testemunhas que a Igreja Batista do Pinheiro é guiada pelo amor ao próximo, respeito, humildade, inclusão, sensibilidade e o cuidado com todas as vidas sem qualquer discriminação, que nos fazem permanentemente recobrar o verdadeiro sentido da vida e da fé.


Seguiremos ao lado e à disposição daqueles e daquelas que se colocam nas mesmas fileiras em busca da justiça e do respeito à humanidade em toda a sua diversidade e que tem a coragem - atributo de poucos - de amar e acolher verdadeiramente ao próximo.


Continuamos nossa caminhada contra todas as cercas, visíveis e não visíveis, que nos impedem de viver de maneira digna e livre de toda e quaisquer amarras de ódio, raiva e segregação que sustentam os valores da sociedade capitalista, que oprime, exclui, explora e mata homens e mulheres por serem negros e negras, pobres, gays, lésbicas, transexuais e travestis.


Assim, manifestamos todo apoio aos pastores Wellington, Odja e toda a comunidade Batista do Pinheiro por terem a coragem de amar e acolher à todos e todas.


Um fraterno abraço,


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Alagoas, 14 de Março de 2016