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Da Página do MST 


Durante a semana da Jornada de lutas, mulheres do MST deram o recado à causadora da maior tragédia ambiental do Brasil, a Vale do Rio Doce. 


Em ações que se espalharam por diversas cidades as mulheres denunciaram os impactos sociais e ambientais provocados pela Vale nas regiões em que está instalada. 


Foi o caso do Maranhão onde 300 mulheres Sem Terra ocuparam os trilhos da Estrada de Ferro Carajás administrada e usada pela mineradora. Com a manifestação, os trens de que transportam minério, desde a mina de Carajás em Parauapebas Pará à São Luís do Maranhão, ficaram paralisados.


As mulheres denunciaram a forma de atuação destrutiva da empresa ao longo dos 25 municípios atravessados pelo corredor Carajás, também conhecido como Corredor da Morte.


Na ação as mulheres também reivindicaram ações específicas para amenizar o impacto da Vale no assentamento Diamante Negro Jutaí e outras comunidades do entorno, também afetadas pelas ações da mineradora.


Os impactos provocados pela Vale no Maranhão e Pará, por onde percorre os trilhos da Estrada de Ferro Carajás, são enormes os mais variados possíveis. Entre os mais comuns estão atropelamentos de pessoas devido a falta de segurança na estrada de ferro. A mineradora ainda vem causando grandes impactos ambientais e sociais com a duplicação da ferrovia na região.

 

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No Pará, cerca de 500 camponesas realizaram um ato pacifista e de denúncias contra a Vale, no município de Parauapebas, sudoeste paraense. 


No entanto, o direito de manifestação foi reprimido pela polícia militar na maior província mineral do planeta: A Serra dos Carajás.


O objetivo era fazer um ato simbólico para que não se esqueçam de Mariana e alertar a sociedade que a qualquer momento a tragédia de Mariana pode acontecer em Parauapebas. Além de ser um ato contra a ação do capital e da Vale que comanda o estado do Pará.


Durante o ato a polícia tentou intervir e o ato simbólico se transformou em violência e abuso de poder por parte da PM de Parauapebas, com o uso de bomba de efeito moral e balas de borracha para dispersar as mulheres que cantavam e criavam palavras de ordem. Pelo ao menos seis pessoas foram detidas pela PM e 10 feridas durante o confronto. 


Para Ayala Ferreira, da direção do MST, a polícia mais uma vez se mostrou a serviços e mandos da Vale e sua atitude nos mostra que ela ainda sabe como massacrar e que não irá medir esforços a serviço do grande capital. “a intenção dos poderosos da região é implementar a política do medo como fez o major Curió na década de 80”. 


As trabalhadoras rurais afirmam que não se calarão diante dos órgãos repressores nas manifestações populares e que a falta de políticas públicas para áreas do campo como saúde, educação, lazer, produção agroecológica, cultura, proteção social e previdenciária, contribuem para a desigualdade social e reforçam a violência contra as mulheres. 

 

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Em Minas Gerais, 1500 mulheres Sem Terra da região sudeste também ocuparam as dependências da mineradora Samarco/Vale, nos arredores da Barragem de Germano (Fundão) travando as estradas, os trilhos e toda extração do Complexo de Mariana.


A ação foi organizada em conjunto com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração e teve o objetivo de denunciar a impunidade no maior crime ambiental da história do país. Passados quatro meses a maior parte das famílias atingidas ainda segue sem qualquer tipo de assistência. 


As cidades abastecidas pela água do Rio Doce continuam sofrendo com a contaminação por metais pesados.


Cidades como Governador Valadares, Colatina e Linhares, no Espírito Santo, consomem água comprovadamente contaminada por Arsênio, Chumbo, Mercúrio, Manganês e Cromo.


O Arsênio é utilizado principalmente na extração de ouro, ou seja, é um indício de que poderia haver extração ilegal nestas minas. 

 

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Já na capital carioca, 300 camponesas e camponeses ligados ao MST e ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizaram um protesto contra a Vale no Rio de Janeiro.


A ação aconteceu em frente ao escritório da Vale, no Leblon, e teve como objetivo denunciar e responsabilizar a empresa pelo crime social e ambiental ocorrido em Mariana, onde centenas de pessoas, segundo informações do MAB, ainda estão desalojadas e desempregadas.


Para Elisangela Carvalho, da direção nacional do MST, a Vale fez uma tentativa de se esconder e evitar protestos na porta da sua sede ao mudar de endereço do Centro do Rio de Janeiro para o Leblon. "Não adianta ela se esconder. Vamos continuar nossas denúncias contra a Vale para mostrar o mal que ela causa a sociedade".


Durante a ação, jovens do Levante Popular realizaram uma mística em que, simbolicamente, devolveram para a Vale a sujeira que a Samarco criou em Mariana. Eles espalharam lama, bandeiras do MAB sujas de terra e recipientes de plásticos, que armazenavam a lama, na frente da sede da Vale. Os nomes dos 19 mortos no desastre de Mariana foram mencionados em voz alta.


A mobilização questionou o atual modelo de mineração e denunciou seus riscos ambientais. Para o MST, esse é um modelo “predatório”. "A vale mata rio e mata gente. Por isso, não podemos permitir que este modelo de desenvolvimento permaneça. Isso não é progresso e sim, prejuízos, danos e mortes", finalizou Elisangela.


As mulheres Sem Terra de todo país afirmam que seguirão firma na luta contra toda violência, injustiça e impunidade. 2016 será um ano de luta protagonizado pelas mulheres em todo o Brasil.