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Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

 

O Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira, 8 de março, foi marcado por intensa mobilização de mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Porto Alegre, na Capital do Rio Grande do Sul.


Após 1200 camponesas ocuparem o pátio da Yara Fertilizantes, para denunciar o modelo do agronegócio, e o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, para cobrar, entre outras medidas, incentivo à produção agroecológica, parte delas marcharam quase três quilômetros até o prédio da Previdência Social, no Centro.


“Lugar de mulher é no taque de guerra”, foi um dos principais gritos de ordem entoados nas ruas de Porto Alegre. Já em frente ao prédio da Previdência Social organizaram uma audiência pública sobre a reforma da previdência, junto a outros movimentos populares da Via Campesina, Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direito (MTD), Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial das Mulheres.


Cerca de 600 mulheres participaram da atividade, que teve como objetivo denunciar no Dia Internacional da Mulher a realidade das trabalhadoras dos meios urbano e rural, que ainda sofrem com a desigualdade de direitos e poderão perder conquistas históricas com a atual construção do projeto de reforma da previdência.


As organizações civis defenderam a universalidade da previdência, a fim de que esta seja um direito assegurado para todas as pessoas. “Muitos trabalhadores do campo, informais e domésticas ainda estão fora do sistema previdenciário, sobretudo as mulheres, que enfrentam a desigualdade cotidiana em seu trabalho”, explicou Maria do Carmo, da Marcha Mundial das Mulheres, acrescentando que também são a favor do caráter redistributivo da política de previdência social e do fim do fator previdenciário, e contra a equiparação de regras para a aposentadoria.

 

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“O fim do fator previdenciário contribuirá para que a previdência social combata desigualdades, porque a sua existência tem significado prejuízo para as mulheres que se aposentam mais cedo, assim como será positiva a manutenção dos cinco anos de diferença para a aposentadoria de homens e mulheres”, argumentou Maria.


A militante do MTD, Eliane de Moura também denunciou a desigualdade da jornada de trabalho entre homens e mulheres e afirmou que “previdência é lugar de algumas justiças sociais e que o direito a aposentadoria aos 55 anos de idade das mulheres camponesas é fruto de uma vida de luta e de trabalho que começa desde muito cedo”. “Nós no Brasil, hoje, não temos nenhum direito assegurado. Tudo o que conquistamos estamos perdendo e precisamos romper esta realidade. Os argumentos apresentados pelo governo não justificam que quem tem que pagar esta conta da previdência sejam os mais pobres”, disse.


Já a assentada do MST, Irene Mafio lembrou as lutas travadas pelas mulheres para conquistar direitos como o reconhecimento à profissão de agricultora e aposentadoria rural. “Que não se atrevam a mexer na aposentadoria.

 

Hoje, parece que tudo nos foi dado de presente, mas as conquistas que tivemos aos longos dos anos são frutos de muita luta. E nós não temos o direito de deixar de lutar em memória daqueles que tombaram para que hoje tivéssemos esses direitos”, declarou Irene.


As mulheres reivindicam que o governo federal se reúna e debata com os movimentos feministas e de mulheres do campo e da cidade as pautas em questão. “Queremos que o governo Dilma estabeleça uma agenda de compromisso com os avanços necessários nas políticas sociais e previdenciárias, em especial as de enfrentamento à violência contra as mulheres”, finaliza Maria do Carmo.