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Cerca de 400 mulheres Sem Terra trancam neste momento a rodovia MS-162, entrada do município de Maracaju, no Mato Grosso do Sul.


A ação é composta por camponesas do MST, do Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária (MCLRA)  e da (Central Única dos Trabalhadores (CUT) e faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres.


De acordo com Fabiana Aparecida, dirigente estadual do MST, as mulheres Sem Terra estão mobilizadas em todo Brasil, realizando marchas, ocupações, trancamento de vias, entre outras ações.

"Queremos chamar a atenção da sociedade para nossas pautas. Estamos aqui em defesa da natureza, da alimentação saudável e contra o agronegócio", afirma. 


Além destas bandeiras, as Sem Terra lutam pela demarcação das Terras Indígenas, pela defesa de seus direitos e pelo combate à violência contra a mulher.


O município foi escolhido pelas mulheres camponesas, pois além de concentrar empresas como a Cargill, Coamo, entre outras representantes do latifúndio e responsáveis pelos altos índices de alimentos produzidos com agrotóxicos, está em curso na cidade a instalação da fábrica BBCA, para processar milho, soja e colocar em risco a biodiversidade da região, pois quando esta empresa operava na China, ela foi responsável pela morte do Rio Huai. Em Maracaju, a indústria será instalada próxima ao Rio Brilhante.


As mulheres denunciam o alto consumo de agrotóxicos pela população brasileira. "Somos o país que mais consome veneno no mundo. O governo precisa dar mais atenção à agricultura familiar, que é quem alimenta a população. Enquanto o agronegócio recebe bilhões dos cofres públicos para exportar soja, nós recebemos cada vez menos recursos para colocar o alimento no prato do brasileiro. O ajuste fiscal aperta mais sobre a camponesa" afirma Fabiana.


Outro ponto destacado diz respeito à Reforma Agrária. Para o MST, 2015 foi um ano perdido para a Reforma Agrária. No entanto, este cenário não se repetirá neste ano, segundo o movimento, pois as mobilizações tendem a aumentar. A intenção é pressionar o Governo Federal para retomar os processos de desapropriação.


As Sem Terra também chamam a atenção para o auto índice de casos de violência contra a mulher no MS. Entre 2014 e 2015 foram mais de 19000 ocorrências do tipo. O Mato Grosso do Sul é o segundo estado em número de estupros de mulheres. Recentemente, o governador Reinaldo Azambuja vetou um projeto de lei que visava combater os casos de assédio em transportes coletivos de todo estado. O veto foi ratificado pela base do governo na Assembleia Legislativa.


A ação se iniciou às 4h30min e, segundo as mulheres, não há previsão de término.


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Jornada Nacional


Com a jornada das mulheres, o MST dá início ao seu calendário de lutas que, este ano, relembra os 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Neste massacre, 21 Sem Terras foram assassinados durante uma manifestação em Eldorados dos Carajás (PA).   


A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra 2016 traz o lema Mulheres na luta em defesa da natureza e alimentação saudável, contra o agronegócio.


O objetivo central é denunciar o capital estrangeiro na agricultura brasileira por meio das empresas transnacionais, chamando a atenção da sociedade para que se conscientizem sobre o modelo destrutivo do agronegócio para o meio ambiente, a ameaça à soberania alimentar do país e a vida da população brasileira, afetando de forma direta a realidade das mulheres.


O modelo agro –hidro -minero exportador não pode continuar sendo base da economia da sociedade brasileira.  Além disso, as lutas denunciam a impunidade em relação à violência contra as trabalhadoras e os trabalhadores camponesas/es.


Ao mesmo tempo, a luta coloca como alternativa, o projeto de agricultura baseado na agroecologia, e propõe a batalha em defesa da soberania alimentar e da Reforma Agrária Popular.

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