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Por Jailma Lopes D. Serafim
Da Página do MST


No Rio Grande do Norte, na manhã desta segunda-feira (7), cerca de 400 mulheres do campo e da cidade, das organizações que compõem a Frente Brasil Popular, abrem calendário de lutas de 2016, em referência a semana do 8 de março.


Pela manhã será feito um debate sobre reforma na Previdência e os impactos na vida das mulheres, no auditório do Sindicato das professoras e dos professores do estado. Pela tarde as mulheres realizaram oficinas de produção de materiais e concentração para ato que acontece às 16 horas pelas ruas da cidade.


Jornada Nacional de Lutas


As atividades integram a Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, que este ano tem como lema: “Mulheres em Luta em defesa da natureza e alimentação saudável, contra o agronegócio”.


Para Elionete Pereira, da direção estadual do MST, iniciar a jornada com uma atividade da Frente Brasil Popular, materializa a bandeira de luta do Movimento, a Reforma Agrária Popular.


“Essa atividade dá o tom da análise do Movimento priorizar a construção da unidade política e da necessidade de recolocar a Reforma Agrária Popular, como uma pauta do conjunto da sociedade brasileira do campo e da cidade. 


Nosso programa agrário depende necessariamente dessa unidade classista, não será obra, nem beneficiará somente as e os Sem Terra, mas trata-se de um projeto para o campo brasileiro, que pretende produzir alimentos saudáveis e baratos para o povo da cidade.”


No entanto, aponta, que para tanto, é necessário fazer enfrentamento ao agronegócio e o hidronegócio; a mineração; a especulação; a impunidade no Brasil, que sistema judiciário classista, criminaliza as e os Sem Terra, e é conivente com a violência do latifúndio, como tem sido há vinte anos com Massacre de Eldorado dos Carajás.


Retrocessos 


Em meio as ofensivas que avançam sob a classe trabalhadora, as mulheres enfatizam que a unidade política é condição para enfrentar a conjuntura que se acirra e que impõe uma série de retrocessos aos direitos sociais, dentre elas:


Os retrocessos protagonizados pelo Congresso Nacional, personificados em Eduardo Cunha como principal inimigo das mulheres; a política econômica neoliberal do governo federal; as tentativas nocivas da direita brasileira de atacar a democracia; as arbitrariedades do Poder Judiciário; e a inescrupulosa atuação da comunicação.


Nesse sentido, Raimunda Lúcia, do setor de gênero do MST, ressalta que a abertura do calendário de lutas de 2016 com a unidade das mulheres campo e cidade, é simbólica, por sua opressão ser funcional a esse sistema. Mas também, impõe a necessidade e radicalizar na luta, recolocando a necessidade de construir projeto estruturante que mulheres e homens possam viver livre das opressões.


“É tempo de nos inspirarmos na radicalidade, coragem, e rebeldia de Roseli Nunes, Dandara, Margarida Alves, Rosa Luxemburgo, Helenira Rezende, nas Marias, Claúdias e tantas outras mulheres lutadoras, diariamente inviabilizadas ao logo da história e apontar saídas com um projeto de sociedade. Precisamos de um projeto de soberania popular, que faça as reformas estruturais, como a Reforma Agrária, que ataque o imperialismo, as diversas formas de opressão, as desigualdades gritantes, que tudo isso essa representa violência para as mulheres. Quando as mulheres do campo e cidade se unir, o machismo e a não vão resistir”, afirma Lucia.


Para Mara Farias, do Levante Popular do Juventude, “há de escancarar que Cunha violenta a todas nós, mulheres, protagonizando ações conservadoras e nefastas. Em cada projeto de lei, em cada frase que usa está contida uma violência que gera mais violência. É preciso lembrar também que é esse Sistema Político (altamente conservador e arcaico) que junto com sua bancada da Bíblia precisam ser combatidos,” afirma.


Para Eliane Bandeira, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o caráter das atividades de formação, organização e luta, materializa os principais desafios que estão colocados para esquerda brasileira. 


“Nós precisamos retomar um amplo processo de unidade, a Frente Brasil Popular é um espaço central para isso, mas também construir com o conjunto das organizações um amplo processo de formação política que dispute a sociedade, organize e se converta em lutas de enfrentamento a esse sistema”.