Da Página do MST


Entidades, movimentos sociais e usuários de serviços sociais e de saúde tem se manifestado em defesa de uma reforma psiquiátrica brasileira que humanize os tratamentos e não viole os direitos humanos.


A postura do governo ao nomear o novo coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Valencius Wurch Duarte Filho, demonstra descaso e ao mesmo tempo indica um retrocesso no processo de criação de uma rede social que substitua os manicômios, amparada pela Lei de Reforma Psiquiátrica.


“A construção da Reforma Psiquiátrica Brasileira representa a busca pela emancipação humana e construção da justiça social no país. Representa um avanço social e político de nossa sociedade”, ressalta trecho da nota.


Um dos principais questionamentos das organizações e entidades que debatem a saúde mental no Brasil é por que indicar alguém que foi diretor de um dos maiores manicômios da América Latina para cuidar do setor em uma instituição pública.


No período em que era diretor, Valencius Wurch foi alvo de denúncias de violações de direitos humanos, um indicativo de que ele pode provocar mudanças neste tipo de atendimento na rede pública.


Confira nota na íntegra.


NOTA PÚBLICA EM DEFESA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra se solidariza com o Movimento de Luta Antimanicomial contra todos os ataques que as políticas de saúde vêm sofrendo e à tentativa de mais uma desconfiguração na Reforma Psiquiátrica Brasileira, com a indicação do novo Coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Valencius Duarte.


A sociedade brasileira, através de suas lutas e reivindicações, conquistou as políticas de saúde, inclusive de saúde mental, a partir da organização de trabalhadores/as e usuários/as, na perspectiva de combate às práticas de “tortura” e segregação do convívio social, cuja sociedade impõe uma “normalidade” aceitável para reproduzir a lógica da exclusão e dos preconceitos.


A construção da Reforma Psiquiátrica Brasileira representa a busca pela emancipação humana e construção da justiça social no país. Representa um avanço social e político de nossa sociedade. Por isso, exigimos que seja garantida a democracia, que o Ministro da Saúde Marcelo Castro respeite os Movimentos Sociais e reitere a proposta que a Luta Antimanicomial apresenta. Em defesa do Sistema Único de Saúde e por seus princípios é que nos unimos a essas vozes que gritam: Manicômios e torturas, nunca mais!

 

São Paulo, 20 de Janeiro de 2016.

Direção Nacional do MST