Da Página do MST


Nesta terça-feira (19), Movimentos sociais lançaram uma nota denunciando ataques sofridos pelas comunidades Guarani e Kaiowá da retomada do território Tey'i Jusu no Mato Grosso do Sul.


A iniciativa ocorreu após uma visita de integrantes de movimentos sociais, estudantes e professores ao território ancestral Tey'i Jusu, que desde dezembro de 2014, vem sendo judicialmente retomada para os indígenas.


Os movimentos denunciam que os ataques às comunidades tem sido recorrente, e se intensificaram após a suspensão da reintegração de posse do território para os fazendeiros.


“Desde outubro de 2015, a comunidade vem sofrendo ataques químicos dos fazendeiros sobre a área da retomada por avião e por meio do "formigão" (grande maquinário terrestre), que também derrubou casas do Tekoha. Ataques esses que se intensificaram no mês de dezembro, prévio à decisão judicial de suspensão de segurança”, afirma trecho da nota.


Confira abaixo.


Novo ataque contra terra retomada de Tey'i Jusu, comunidade Guarani e Kaiowá


Hoje, 19 de janeiro de 2016, pelo menos seis veículos pertencentes aos fazendeiros da região de Caarapó bloquearam a estrada de acesso à retomada Tey'i Jusu. Cortaram a comunicação entre a retomada e a reserva indígena Tey'i Kue, único caminho de acesso para o resto do município.


O fato aconteceu após uma atividade, de 16 a 18 de janeiro, em que os Guarani e Kaiowá de Tey'i Jusu receberam a visita de movimentos sociais, estudantes e professores da UFGD (Universidade Federal de Grande Dourados) e da UNESP (Universidade Estadual Paulista), Campus de Araraquara-SP.


Na casa de reza da comunidade, houve uma celebração pela suspensão de segurança da reintegração de posse. A retomada de Tey'i Jusu do seu território ancestral começou em dezembro de 2014 e essa suspensão é sentida pela comunidade Guarani - Kaiowá como um avanço e pelos fazendeiros da região como uma derrota judicial. Houve também uma caminhada com os visitantes pelo Tekoha (território, "lugar onde se é") antigo e aulas públicas com a comunidade.


Ontem, por volta das 16h, uma caminhonete azul marinho passou e se deteve para os seus ocupantes tirarem fotos dos membros da comunidade e seus visitantes.


É preocupante que isto aconteça após a saída dos visitantes, se tratando do descumprimento das decisões da justiça que barrou a reintegração. Ainda agravado pelo histórico da retomada da terra, que conta com um assassinato no dia 8 de dezembro de 2014 e o desaparecimento do corpo da jovem Júlia, após um ataque a bala sofrido pela comunidade por pistoleiros de tocaia na trilha que une a sede da fazenda mais próxima com o Tekoha.


Antes e depois desse dia houve vários ataques de matadores profissionais. A comunidade em massa, apesar de desarmada, conseguiu, corajosamente, reter quatro desses homens que, armados com bombas de gás, fuzis e pistolas, circularam ameaçadoramente, às 10h e os retiveram até a chegada, às 15h, da Polícia Federal, que nada fez além de, devolver as armas para esses homens, que voltaram com elas para a sede da fazenda.


Desde outubro de 2015, a comunidade vem sofrendo ataques químicos dos fazendeiros sobre a área da retomada por avião e por meio do "formigão" (grande maquinário terrestre), que também derrubou casas do Tekoha. Ataques esses que se intensificaram no mês de dezembro, prévio à decisão judicial de suspensão de segurança. Esses episódios e os relatados no parágrafo anterior estão documentados e na mão do Ministério Público.


Rondas constantes e tentativas de sequestro vêm sendo realizadas pelos empregados dos fazendeiros da região. Há registros fílmicos das denúncias desses episódios.


Na região de Caarapó, é evidente a presença da soja e da cana de açúcar moída pela usina da Raízen (empresa transnacional-fusão da Cosan com a Shell), destino da produção das fazendas locais.


Isto acontece no contexto da paralisação das demarcações das terras indígenas pelo governo federal, a lentidão dos processos em mãos do poder judiciário e a redução do orçamento da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Ao mesmo tempo, há, na região do sul de Mato Grosso do Sul, um avanço da fronteira da cana de açúcar, da soja, da pecuária bovina e do eucalipto.


BASTA DE AGRESSÕES DO ESTADO E DOS LATIFUNDIÁRIOS CONTRA OS POVOS INDÍGENAS!

TERRITÓRIO, JUSTIÇA, E LIBERDADE.


CEIMAM - Centro de Estudos Indígenas Miguel Ángel Menéndez

MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Coletivo de Agroecologia Resistência Tekoha

Organização Canudos