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Do Coletivo de Comunicação do MST na Bahia
Da Página do MST


Trabalhadores do campo e da cidade da região do Vale do Rio Mucuri realizaram na última segunda-feira (21/12) uma Audiência Pública com representantes da empresa Suzano Papel e Celulose, para tratar dos danos provocados pelo uso industrial das águas do rio, na cidade de Mucuri, no extremo sul da Bahia.


A audiência contou com a participação de diversos Jovens Sem Terra, pescadores, marisqueiras, empresários, funcionários públicos e representantes de órgãos governamentais, como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e da Agência Nacional das Águas (ANA).


Com o tema “O Rio Mucurí precisa Viver” e o lema “Enquanto o rio viver o ser humano será imortal”, a audiência provocou um debate em torno dos impactos sofridos pelo rio e a responsabilidade das transnacionais de eucalipto na região, em especial a empresa Suzano.


Denúncias


A população denunciou que desde 2010 a Suzano vem operando ilegalmente no Rio Mucuri, destruindo o meio ambiente e desrespeitando a legislação brasileira. Além disso, denunciaram que os órgãos competentes têm conhecimento da situação e nada tem feito.

 

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Suzano utiliza 75% da demanda diária do rio Mucuri.

De acordo com os relatórios da ANA e do INEMA, a empresa Suzano Papel e Celulose utiliza atualmente mais de 75% da demanda diária de toda água do rio, mesmo diante da diminuição considerável do volume por causa da seca prolongada. 


Para os especialistas que estavam participando da audiência, o Rio Mucuri atende uma demanda de 2.880 litros de água por segundo à sociedade. A empresa consome 2.160 litros por segundo. “Caso não chova na região nordeste de Minas Gerais, não conseguirá desaguar no Oceano Atlântico”, afirmam.


Lorivan Galvão, assentado do MST, acredita que o rio está num estado crítico e a utilização industrial indiscriminada de suas águas está ameaçando gravemente a vida do rio e de todos que dependem dele.


“Além do assoreamento sofrido pelo desmatamento o rio está perdendo a diversidade da fauna e flora aquática, por causa da contaminação química”, explicou.


Já Idoglesia Lopes, também assentada, diz que “se não bastasse a seca que estamos vivendo devido o desmatamento e a morte das nascentes, ainda tem o problema da Suzano que vem poluindo o Rio Mucuri a muito tempo”, destacou Lopes. 


Durante a audiência, os representantes da empresa não argumentaram em defesa da empresa.