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Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Fotos: Leandro Molina

 

Cerca de mil pessoas participaram do ato de lançamento da Frente Brasil Popular (FBP) no Rio Grande do Sul, realizado na manhã desta sexta-feira (11), no auditório da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), em Porto Alegre.


O evento reuniu integrantes de movimentos populares, organizações sindicais e partidos políticos, que discutiram sobre a atual conjuntura política do Brasil, entre outras questões pontuais, como a agenda de ações para o próximo ano e a constituição da Comissão Operativa da FBP no Estado gaúcho.


Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST, falou sobre a tentativa da direita brasileira e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de instalar o golpe no país contra a democracia e o mandato da presidenta Dilma Rousseff.


Segundo ele, o enfrentamento a este golpismo, protagonizado pelas forças conservadoras, deve estar entre as pautas centrais do povo brasileiro.


“Temos que afinar a viola e enfrentar o impeachment, botar o povo nas ruas”, disse, acrescentando que esta crise do golpe “ajudou a revelar que Padilha, Gilmar Mendes, Cunha e Temer são farinha do mesmo saco”. “Todos estão conspirando para derrubar Dilma”, ressaltou.


Stédile ainda abordou as quatro crises existentes no país: política, social, ambiental e econômica. Para o dirigente do MST, é preciso ocorrer investimentos na indústria e agricultura brasileira para que se torne possível a retomada do crescimento da economia e do desenvolvimento social; assim como a realização de reformas estruturais, envolvendo moradia, transporte e acesso da juventude à universidade; e profunda reforma política, com o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.


Neste sentido, evidenciou o papel da participação popular: “Historicamente, não é um partido, um governo ou a imprensa quem tira um país da crise. Isso acontece quando forças sociais organizadas formam um bloco hegemônico e apresentam um projeto de saída à sociedade para este problema”, concluiu Stédile.


Já Miguelina Vecchio, presidenta nacional da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), criticou as alianças partidárias que compõem o atual governo.


“Temos que fazer uma avaliação de com quem a gente anda. Com esse PMDB nós nem precisamos de adversários da ultradireita, porque o centro-esquerda é contra o governo. Parte da bancada peemedebista vota pelo impeachment porque acredita que se Dilma sair é o partido quem assume a presidência”, argumentou.


Representando a União Brasileira de Mulheres (UBM), Abgail Pereira, complementou que o povo brasileiro não irá se agachar diante as dificuldades que assolam o Brasil e ressaltou que a crise do impeachment “é de uma burguesia que não admite outro projeto, se não o neoliberal”.

 

“Temos críticas pontuais a este governo, mas neste momento não se trata de quem é a favor ou crítico. O que nos une é essa clareza de que o nosso país está dividido com democratas e patriotas de um lado, e os golpistas de outro”, finalizou.