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Por Bruno Pavan
Do Brasil de Fato


Aconteceu nesta quinta-feira (3) a apresentação de um manifesto em defesa do processo eleitoral na Venezuela. O documento, que tem apoio de movimentos populares e intelectuais de todo o mundo, busca refutar “todas as alternativas de ingerência de poderes políticos e econômicos externos para influenciar o processo eleitoral” e já conta com mais de 300 assinaturas.


Confira aqui o Manifesto na íntegra


João Pedro Stedile, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e o escritor Fernando Morais reforçaram a confiança na lisura das eleições no país. Morais lembrou que, em 2012, o ex-presidente americano Jimmy Carter considerou o processo eleitoral na Venezuela “o mais seguro do mundo”.


“Nós estamos aqui dando um testemunho público da lisura das eleições na Venezuela e da segurança que nós temos que o resultado será determinado pelo povo”, disse Morais.


Stedile aponta que o interesse por trás desses questionamentos, por parte dos Estados Unidos, é puramente econômico e tem o acesso ao petróleo como pano de fundo.


“O que as empresas norte-americanas querem na Venezuela não é a democracia, mas voltar para o que elas fizeram durante todo o século XX: extorquir o petróleo. Tivemos eleições no Haiti e ninguém publicou uma linha ou contestou o resultado, em um país que tem o voto manual e que somente 15% da população foi votar. Se os Estados Unidos se consideram os zeladores da democracia por que não foram pra lá? Porque lá não tem petróleo”, contestou.


Interesse regional


As eleições parlamentares na Venezuela acontecem no próximo domingo (6) e, segundo dados e projeções de institutos de pesquisas venezuelanos, será pequena a diferença entre os defensores do processo bolivariano e os oposicionistas.


O país, desde a ascensão de Hugo Chávez em 1999, se tornou central para toda a economia sul-americana, passando a comercializar muito mais com seus vizinhos do sul do que dos Estados Unidos.


Morais reforçou que a importância das eleições no país é continental. “Ter a Venezuela com um governo e um congresso bolivariano é importante pra todo mundo que defende a soberania de um povo que decida com sua própria cabeça quais são as saídas para os seus problemas”.


Golpe no Brasil


Um outro ponto abordado foi a liberação do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na tarde da última quarta-feira (2). Moraes acredita que a ação pode ser boa para deixar “as coisas claras” para o governo Dilma e pregou a união de todos os setores progressistas do Brasil contra o golpe.


“O que está em questão é o respeito à democracia e à manifestação popular nas urnas. Todos os grupos, agora, até os que tem diferenças com o governo Dilma no âmbito da esquerda, tem que se unir para enfrentar a direita”


Já Stedile apontou que a decisão de Cunha pegou os movimentos populares de surpresa e que o deputado “não tem moral nenhuma para abrir um processo de impeachment” já que está sendo processado no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ainda afirmou que o governo deve conseguir os votos para barrar o processo na Câmara e que o momento pode ser propício para pautar a sociedade sobre a importância de uma reforma política. “Cunha é a síntese do que virou o sistema eleitoral brasileiro”, disse.