Da Página do MST


A coordenação estadual do MST no estado do Pará soltou uma nota pública, na tarde desta quarta-feira (2), para denunciar as falsas acusações de que trabalhadores rurais ligados ao MST estariam abatendo centenas de vacas prenhas em fazendas do sul e sudeste do Pará.


Por meio de uma página no facebook denominada de “Pecuária Brasil”, circulam fotos nas redes sociais em aparecem vacas mortas, e o MST seria o suposto culpado. 


Para a direção estadual do MST, “isso não passa de mais uma acusação infundada com o intuito de incitar o ódio de setores conservadores da sociedade contra as formas legitimas de manifestação pelos direitos sociais garantidos pela constituição brasileira”.


“Queremos afirmar que a postagem que estão circulando está dentro desta investida da direita raivosa que busca camuflar quem realmente comete crimes ambientais e assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, povos tradicionais, como o que está acontecendo em São Felix do Xingu e Anapú (aonde foi assassinada em 2005 a freira Doroth Stang) que neste ano de 2015, 7 trabalhadores foram assassinados pelos latifundiários e pelos patrocinadores do Agronegócio e da morte”, continua a nota.


Abaixo, confira a nota na íntegra


NOTA DE ESCLARECIMENTO


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Pará (MST/PA) vem a público manifestar REPÚDIO as investidas dos latifundiários do Pará para criminalizar o Movimento e as centenas de famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra, que resistem nos acampamentos dessa região transformando fazendas antes improdutivas em comunidades de trabalho e produção de alimentos saudáveis. 


Pesa sobre nós – divulgado por uma comunidade do facebook denominada de “Pecuária Brasil” – a acusação de ter “abatido centenas de vacas prenhas” em fazendas do sul e sudeste do Pará e, em especifico na Fazenda Cedro (localizada em Marabá). Para nós, Movimento Sem Terra, isso não passa de mais uma acusação infundada com o intuito de incitar o ódio de setores conservadores da sociedade contra as formas legitimas de manifestação pelos direitos sociais garantidos pela constituição brasileira.


Não é a primeira vez que se usam as redes sociais para manipular informações acerca da realidade das famílias Sem Terras com o intuito de criminalizar, disseminar ódio, confundir e colocar a sociedade contra as organizações populares, no caso o MST do Pará.  


Queremos afirmar que a postagem que estão circulando está dentro desta investida da direita raivosa que busca camuflar quem realmente comete crimes ambientais e assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, povos tradicionais, como o que está acontecendo em São Felix do Xingu e Anapú (aonde foi assassinada em 2005 a freira Dorothy Stang) que neste ano de 2015, 7 trabalhadores foram assassinados pelos latifundiários e pelos patrocinadores do Agronegócio e da morte.


A origem duvidosa das fotos mostra quão é frágil essa acusação, onde qualquer apuração mais séria e menos tendenciosa pode atestar a falsidade destas informações. Como seria possível, se em 2012, durante um ato de manifestação ao passar em frente à fazenda em questão (Cedro) os seguranças da fazenda, fortemente armados, atiraram contra os manifestantes deixando 22 pessoas feridas, dentre estas uma criança. Como seria possível, entrar na fazenda para “abater” 20 vacas no interior da sede e nada ter acontecido? Nem mesmo um meio de comunicação ser notificado? Ou a delegacia de conflitos agrários ser acionada?


A fazenda em questão está em processo de negociação e muito seguramente se transformará em Assentamento de Reforma Agrária.


Neste sentido o MST Pará se coloca a disposição da sociedade para contribuir com qualquer possível investigação sobre este acontecimento. Seguimos em luta pela desapropriação da área para fins da Reforma Agrária, e pelo fim do Latifúndio nesse país.


Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!


Coordenação Estadual do MST Pará
Marabá, 2 de dezembro de 2015