Por Jailma Lopes
Da Página do MST


Entre os dias 27 a 29 de novembro, aconteceu o IV Encontro Estadual da Juventude Sem Terra Potiguar, no Centro Estadual de Formação Patativa do Assaré, em Ceará Mirim, Rio Grande do Norte.


O encontro que contou com a participação de mais de 100 jovens de todas as regiões do estado em que o MST está organizado, apontou o trabalho de base como elemento principal para enfrentar os desafios colocados pela conjuntura atual de ataques à classe trabalhadora do campo e cidade.


Para Cinária Mendonça, do coletivo estadual de juventude, esse ano a Juventude Sem Terra, além de reafirmar sua identidade e se comprometer em continuar lutando para construir a Reforma Agrária Popular, colocou os debates sobre o racismo, feminismo e a diversidade sexual como bandeiras de luta e condição para garantir o caráter popular da estratégia política do MST.


“A Reforma Agrária Popular é uma estratégia política que devemos construir para o campo e a cidade, pois tem como objetivo garantir condições digna de existência e soberania alimentar para os povos. Por isso, seu debate não é obra apenas das trabalhadoras e trabalhadores Sem Terra, e sim da unidade da classe trabalhadora como um todo”, afirmou.


Mendonça destaca ainda, que o povo do campo não é homogêneo e além de ser oprimido por negarem seus direitos básicos para a existência, somam-se as opressões de identidade, de gênero e de classe. "Precisamos discutir e fazer enfrentamentos à todas as formas de violência e opressão, tanto internamente, quanto externamente, principalmente em um contexto, cujo Congresso Nacional orquestra uma ofensiva conservadora repugnante!”, concluiu.


Nesse sentido, o lema do encontro: “Juventude Sem Terra em luta por Reforma Agrária Popular – anticapitalista, antirracista, feminista e colorida”, deu o tom de todos os espaços, desde o processo de organização até as místicas, debates, oficinas, noites culturais e encaminhamentos para a organização da juventude no próximo período.


Mostra Cultural Sem Terra


Durante o Encontro, também realizou-se a I Mostra Estadual Cultural Sem Terra, no centro de Ceará Mirim, desafiando a juventude a fazer um trabalho de base cultural.


Os jovens saíram do centro de formação em marcha em direção a feira, que fica no centro da cidade, e a partir de intervenções culturais de teatro, música, capoeira, denunciaram e dialogaram com a sociedade sobre os retrocessos do congresso nacional sobre os direitos do povo, conquistados com muita luta pela classe trabalhadora, como os cortes neoliberais e a precarização do trabalho.


A atividade também, denunciou a Vale e a Samarco, pelo maior crime ambiental dos últimos tempos, em Mariana (MG), que persiste impune, e se solidarizou com as vítimas.


Para Érica Rodrigues, do coletivo estadual de juventude, apesar das dificuldades de se organizar em meio a essa conjuntura, a juventude cumpre um papel estratégico na sociedade.


“Organizar a juventude continua sendo um desafio, mas é uma necessidade, precisamos criar unidade com as organizações de juventude da cidade para avançar na construção da Reforma Agrária Popular e na formação política, pois a juventude precisa estar preparada para zelar os princípios organizativos do MST e construir os valores da sociedade que queremos construir”, salientou.


Trabalho de Base e Agitprop


Diante dos desafios colocados, a Juventude Sem Terra aponta um amplo processo trabalho de base no Movimento para debater a natureza da disputa que está colocada no processo de luta de classes e no enfrentamento ao agronegócio que expulsa a juventude do campo.


“É preciso disputar corações e mentes da juventude e da classe trabalhadora. A burguesia tem vários instrumentos para disputar o povo, como a mídia burguesa, os meios de produção, o Estado e o judiciário. POr isso, o nosso trabalho de base precisa ser criativo, bem pensado e convertido em organização social, a agitação e propaganda tem ferramentas importantíssima para isso”, destaca Aglailton Fernandes, também do coletivo estadual de juventude.