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Por Riquieli Capitani
Da Página do MST


Em 1999, um área com mais de 3 mil hectares de terras, foi ocupada. Hoje, 108 famílias Sem Terra são guardiãs e produtoras da vida, no espaço do MST, o Assentamento Contestado, localizado no município da Lapa, 70 quilômetros de Curitiba, no Paraná. É assim que essa história de luta pela terra é narrada pelos assentados e assentadas no Documentário Vozes do Contestado.


O documentário que foi feito pelos estudantes Estéfano Lessa e Cristiane Freitas, com orientação da professora Maurini de Souza, fez parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Tecnologia em Comunicação Institucional da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), e teve aproximadamente um ano e meio de produção, entre visitas às famílias assentadas, entrevistas, gravações, montagem e edição.


Lessa, conta que a escolha do Assentamento Contestado foi para mostrar que a comunicação, a produção de alimentos, e a reforma agrária popular são temas fundamentais que precisam ser debatidos e mostrados para a sociedade.


“Todo mundo que conhece o Assentamento Contestado se apaixona pelo lugar. Pensávamos que entrevistando os assentados iríamos contar um pouco da história da luta pela terra no Brasil, e isso de fato aconteceu, o diálogo com os camponeses do Contestado permite contextualizar a história de resistência do trabalhador do campo”, afirma.

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“A produção de alimentos saudáveis está cada vez mais na pauta da sociedade em geral e o MST traz esta discussão com força defendendo a agroecologia em contraponto ao uso de veneno na agricultura, por isso, o Assentamento Contestado e a Escola Latino-Americana de Agroecologia são importantes para mostrar a sociedade que existe uma alternativa sustentável de produção que valoriza o trabalhador do campo e que isso está relacionado com a qualidade de vida nas cidades também”, esclarece Lessa.


No dia 23 de outubro, o documentário foi lançado no Assentamento, e nos dia 21 e 22 de novembro foram duas apresentações na Cinemateca de Curitiba.


“O espaço público de difusão do audiovisual permitiu uma maior divulgação do documentário. Nas apresentações em Curitiba, professores de outras instituições de ensino, manifestaram o interesse em levar o documentário para continuar o debate com seus grupos”, comenta Lesa.