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Por Lais Lainy
Da Página do MST


A flagrante tentativa do dono de uma fazenda de envenenar a plantação de feijão e milho ao lado da Escola de Campo Zumbi dos Palmares, em Cascavel, no Paraná, foi frustrada pelos moradores do assentamento Valmir Mota de Oliveira.


Um funcionário da Fazenda Festugato foi flagrado pelos assentados passando agrotóxico a uma distância bem inferior aos 300 metros determinados pela Lei 6.484/2015, de autoria do vereador Paulo Porto (PCdoB), que proíbe o uso de agrotóxicos perto de escolas.


De um lado da estrada a escola, do outro, o trator passando veneno. A comunidade não deixou barato. “Essa já é a quarta vez que flagramos, mas sempre tirávamos foto e ligávamos pro disque denúncia. É a primeira vez que fomos para cima dele. Era um funcionário da fazenda. Sabemos que ele estava apenas cumprindo ordens”, conta a professora do MST, Geni Teixeira de Souza.


O flagrante de ontem seguiu o padrão das outras vezes: sempre no fim da tarde. O estrago desse uso de agrotóxico, além da saúde, diminuiu todo o trabalho de agroecologia feito pelos 86 assentados.


“Moramos nos assentamentos em 86 famílias e fazemos um trabalho de agroecologia que não pode passar veneno. Mas tem a Fazenda Festugato que planta do lado do assentamento feijão e milho e usam veneno. E a lei diz que tem que ser a mais 300 metros sem barreira, seja de escola ou das unidades familiares. Aqui temos dez unidades de cada lado da escola”.


As barreiras, segundo Geni, devem ser feitas com plantas, e se elas existirem, a distância mínima diminui de 300 para 50 metros. Devem ser plantadas três carreiras de alguma planta que faça uma barreira para proteger dos agrotóxicos.


O funcionário da fazenda disse aos assentados que foi feita a medição para fazer as barreiras, mas que até as plantas crescerem leva tempo. "Enquanto isso, vão ter de respeitar os 300 metros", disse Souza.


“Ele disse pediram para um pessoal, e que iriam começar a plantar a barreira hoje. Mas não adianta só plantar, tem que esperar ela crescer para formar a barreira. Tem que ser três carreiras de algum produto, pode ser eucalipto ou alguma erva”, explica Geni.


Sobre os telefonemas ao disque denúncia, Geni conta que pouca coisa se resolveu. Até porque, os flagrantes sempre ocorrem no início da noite. Segundo ela, a comunidade já deu seu recado. “Estamos em alerta. Da próxima vez vamos chamar a polícia e o Ministério Público”.