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Por Catiana de Medeiros
Da Pàgina do MST


Depois de 15 dias de resistência na luta pela terra, as 400 famílias Sem Terra que ocupavam a Fazenda Sol Agrícola, em São Lourenço do Sul, na região Sul do Rio Grande do Sul, começam desocupar na manhã desta quarta-feira (4) o latifúndio. A saída acontece de maneira pacífica.


Mesmo com a decisão da justiça de reintegração de posse, determinada no último dia 21 de outubro, as famílias se consideram vitoriosas nesta luta, uma vez que há grandes possibilidades da fazenda ser desapropriada para assentar famílias acampadas no estado.


“As famílias são vitoriosas, uma vez que a área é improdutiva, não cumpre sua função social e é passível de desapropriação, pois há dois anos o proprietário não ocupa a área com produção” disse Adelar Pretto, da coordenação estadual do MST.


Nesta terça-feira (3), em reunião com integrantes do MST e o deputado estadual Edegar Pretto (PT), a Brigada Militar informou que as famílias deveriam deixar o local até a tarde de hoje. Os Sem Terra optaram por deixar a fazenda e retornar aos seus locais de origem – em acampamentos nos municípios de Candiota, Pelotas, Tapes, Encruzilhada do Sul e Eldorado do Sul -, por entender que a área poderá ser destinada à reforma agrária. 


Ainda na reunião, o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/RS), Roberto Ramos, informou que o órgão deverá notificar, nos próximos dias, o proprietário da vistoria da fazenda e informar o interesse em comprá-la. Além disso, o Incra se comprometeu em analisar outras áreas que podem ser destinadas à reforma agrária no estado.


Os Sem Terra também conseguiram que o governo do Estado se reunisse com as secretarias de Minas e Energia e de Agricultura para tratar da desapropriação de algumas áreas, como da Companhia Nacional de Silos e Armazém (Cesa), em Vitória dos Palmares e Cruz Alta, e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em Passo Fundo. Na próxima semana, a reunião será com o MST.


A fazenda, de 750 hectares, é de propriedade de um fazendeiro chinês, que comprou a área com investimentos de um fundo de pensão da China em 2008 e não investiu mais no local. Com a ocupação, os trabalhadores Sem Terra denunciaram, além da improdutividade, a estrangeirização das terras brasileiras, que estão sendo vendidas para proprietários estrangeiros, colocando assim em risco a soberania nacional.