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Por Roberta Quintino
Da Página do MST


Machismo, homofobia e racismo foram os temas discutidos na mesa “Levante-se contra as opressões”, no terceiro dia do Acampamento Popular da Juventude, que aconteceu entre os dias 30 de outubro a 2 de novembro.


Na abertura da mesa, Laura Lyrio, da coordenação do Levante, destacou ser fundamental debater a questão dos direitos das mulheres para o rompimento do machismo e da violência.


Para ela, “vivemos num contexto de violação dos direitos das mulheres e da classe trabalhadora e muitas vezes somos violados duplamente, a mulher com o machismo, o negro com o racismo e o movimento LGBT com a homofobia." 


Diante disso, Laura ressaltou que só é possível transformar essa situação e ocupar mais espaços de poder com a organização da juventude.


Já para Erivan Hilário, do setor de educação do MST, a atual ofensiva conservadora é um atentado à vida humana.


“Precisamos lutar contra a exploração e contra as opressões. A luta das mulheres não é só das mulheres, a luta do LGBT não é só dos gays e lésbicas. Portanto, esta não pode ser uma luta de divisão, e sim, do movimento LGBT e outros conjuntos que se somam para a construção de uma sociedade de homens e mulheres livres”, ressaltou Hilário.


Ao abordando a questão da  LGBTfobia, Dê Silva, militante do MST, rechaçou a aprovação do projeto de lei que criou o Estatuto da Família. “Não podemos aceitar que o Estado ou alguém queira ditar a regra de como deve ser a forma das nossas famílias.”


O Estatuto da Família (PL 6.583/13) foi aprovado recentemente por uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados, que aprovou por 17 votos a 5 o texto final da PL sobre o conceito de família, que restringe as prerrogativas às famílias tradicionais, excluindo os casais homoafetivos.


Tal manobra dentro do Congresso brasileiro foi rechaçada por diversos movimentos e organizações sociais que se indignaram com mais uma ação que ameaça os direitos do povo e desvia o foco da solução dos graves problemas estruturais do país.


Com as palavras de ordem “juventude do gueto, contra o extermínio das pretas e dos pretos”, Mariana Paiva, do Levante Popular, destacou que a população negra vive um constante processo de “embranquecimento” para se adequar a um padrão imposto pelo mercado de trabalho e pela mídia. Acrescentou ainda que “devemos lutar por um mundo onde caibam todos, mulheres, homens, LGBTs e negros”, concluiu.