Por Maura Silva
Da Página do MST


Desde o último dia 22 de setembro, famílias Sem Terra ocupam duas áreas da Usina Santa Elena, no município de Santa Helena de Goiás (GO). 


A ocupação que começou com 200 pessoas, hoje, 19 dias depois, já conta com 4 mil Sem Terra. Para José Valdir Misnerovicz, da coordenação estadual do MST, o alto número de pessoas que aderiram à ocupação reflete a atual situação política e econômica do país. 


“Estamos na região do coração do agronegócio em Goiás. E esse aumento de famílias acampadas em tão pouco tempo reflete a falência do atual modelo econômico ditado pelos interesses do agronegócio e das grandes corporações”, afirma. 


Para Misnerovicz esse é um fenômeno que deve ser observado num momento em que retrocessos democráticos estão presentes na vida do povo brasileiro. 


“Não estamos conseguindo dar conta do cadastro de todas as famílias que estão chegando ao acampamento. Essas são as pessoas que estão sendo diretamente afetadas pela crise do sistema político/financeiro que estamos vendo acontecer em todo o país. Falta terra para o Sem Terra, mas sobra concentração de terra, sobra latifundiário que não paga pela crise, que não tem suas grandes fortunas taxadas por impostos. O que está acontecendo em Goiás não é uma situação regional, é reflexo da paralisação da Reforma Agrária, e dessa crise que afeta os trabalhadores de todo o país”, conclui. 


Dívida de R$ 1 bilhão


A Fazenda Santa Helena é uma área com cerca de 15 mil hectares pertencente à empresa UNA. A fazenda tem uma dívida com a União de aproximadamente R$ 1 bilhão. Atualmente a dívida vem sendo executada pela Fazenda Nacional, que destinou cerca de 5800 hectares, equivalente a 14% da área para fins de Reforma Agrária. 


O processo de reintegração foi feito na vara cível no município de Santa Helena por um dos arrendatários da área. 


Como o antigo dono contraiu bilhões em dívidas, negociou com seus antigos fornecedores através de permuta. Ou seja, as pessoas que hoje se apresentam como titulares/donos das terras são ex-fornecedores que permutaram partes do terreno em acordos que previa a quitação de débitos do antigo dono. 


Segundo Misnerovicz, parte das famílias que ocupam a área já foram cadastradas no Programa Nacional de Reforma Agrária, e aguardam a liberação do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). 


O Superintendente da Regional do Incra em Goiás, Jorge Tadeu, é quem acompanha o caso.