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Por Gustavo Marinho
Da Página do MST

 

Entre os dias 20 e 22/08, o MST de Alagoas realizou o Encontro Estadual de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária.


O evento é uma preparação para a edição nacional do II Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária (Enera), que acontece em Brasília entre os dias 21 e 25 de setembro.


Durante os dias de formação, foram feitas oficinas, debates e avaliações sobre o direito à educação no campo. 


“Estamos discutindo aqui o papel da escola e da educação na construção da Reforma Agrária popular”, salienta Luana Pommé, do Setor de Educação do MST.


Segundo a educadora, os desafios no acesso à educação de qualidade no campo começaram a ser discutidos em encontros regionais.  


"Pudemos perceber experiências importantes sendo realizadas, fruto da luta do MST. Saímos deste encontro com a certeza de que as tarefas são muitas, mas a necessidade da luta nos move nessa construção da educação nas áreas da Reforma Agrária", diz.


O encontro contou com ampla participação de diversos setores da sociedade, universidades, movimentos sindicais de professores de ensino superior e básico (ambas categorias em greve), além de fóruns estaduais de educação e de educação do campo.


Partindo de uma análise  minuciosa da situação da educação e, em específico, da educação do campo, o sentido abordado durante o encontro foi o da ação coletiva na transformação da realidade caótica da política educacional em Alagoas.


Segundo a professora Abdízia Barros da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), “os índices educacionais no século XXI estão marcados por números históricos: em 1920, o estado de Alagoas não tinha 6% da população na escola; em 1930, apenas 12% da população possuía o primário; em 1980, atingimos o patamar de ‘campeões do analfabetismo’”.


Ela desenvolve um panorama que leva a conclusões assustadoras: “há cerca de 99 mil crianças e jovens em idade escolar obrigatória fora da sala de aula em Alagoas e 36% dos matriculados não sabem ler”.


Para Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, “há que se desfazer aquele imaginário de que o que é bom está na cidade."


Ela completa: "mas isso não existe à toa: no campo chega carteiras novas, quando o prefeito faz reformas na cidade e manda os móveis velhos para a escola da Zona Rural”, critica.


Acerca do formato da escola defendida pelo Movimento, ela é enfática em dizer que não há neutralidade, ausência de “ideologias”.


“O caso da Vale Verde, multinacional da mineração que se instala agora no agreste do Estado, é um indicador. Visando uma influência clara sobre a população, ocupa o lugar do poder público no provimento de materiais escolares, distribui cartilhas, realiza campanhas nas escolas da região”, denuncia Débora. “


Por isso advertimos que não há neutralidade, portando defendemos, sim, uma escola emancipadora”, conclui.