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Por Iris Pacheco
Da Página do MST


Nesta terça-feira (18), o plenário 1 da Câmara dos Deputados, em Brasília, foi palco do Seminário de lançamento do 2° Encontro Nacional de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (ENERA), que acontecerá entre os dias 21 a 25/09, em Luziânia (GO).


Com o tema "Os rumos da política educacional brasileira e o papel da educação na reforma agrária", a mesa de debate contou com a presença de Paulo Gabriel, da Secretaria de educação continuada, alfabetização, diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação, Clarice Santos, professora da Universidade de Brasília (UnB), e Divina Lopes, da coordenação nacional do MST. Também estiveram presentes diversos parlamentares, representantes de movimentos sociais do campo, como o MST, Contag e Via Campesina, além de professores da UnB. 


O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Educação do campo (FPMDOC), uma das organizadoras do evento, deputado padre João (PT/MG), mediou o debate e afirmou a necessidade de se fazer uma política pública de educação do campo prioritária e que movimentos, organizações e a Frente Parlamentar devem ser mais incisivos nesse processo.


Segundo Divina Lopes, o 1° ENERA, em 1997, se constituiu num momento de apresentação pública da prática pedagógica, formativa e educativa dos educadores do MST. Já o 2° ENERA, será um momento de articulação dos educadores, mas também de toda a sociedade para discutir os rumos da educação pública no Brasil.


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"Temos o desafio de construir um projeto de formação para a classe trabalhadora do país. Qual projeto de educação queremos e estamos dispostos a construir? O 2° ENERA será um espaço de articulação, de denúncia e de projetar o futuro, indo na contramão do processo de apropriação das instituições públicas de ensino pelo capital. A concepção de projeto educativo para a classe trabalhadora não é a formação do Pronatec", afirmou Divina.

 

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Já a professora Clarice Santos falou do papel da UnB na construção do 1° ENERA e do contexto político e histórico daquele momento em que o Movimento também afirmou a luta por um Brasil sem latifúndio na educação. E lembrou Florestan Fernandes, ao se referir que os circuitos da história não se abrem e nem se fecham para sempre.


"O 2° ENERA acontece em um momento que é preciso abrir novamente os circuitos da história com o povo. Um momento de fechamento pela ação do capital para caçar os direitos da classe trabalhadora, mas que precisa ser reaberto", salientou Clarice.


Pronera


Em 18 anos de existência do Pronera, mais de 200 mil pessoas foram escolarizadas, e hoje agrega parcerias com um conjunto de Universidades em todo o país, com a realização de cursos de ensino superior para trabalhadores e trabalhadoras do campo, filhos e filhas de assentados e acampados.


No entanto, o processo de exclusão e ofensiva contra os avanços dentro da educação do campo são grandes. O Brasil ainda tem cerca de 3 milhões de analfabetos, a maioria deles estão no campo. Enquanto isso, até 2014, foram fechadas cerca de 40 mil escolas no campo.


De acordo o censo de 2010, 8,7 milhões de estudantes são residentes no meio rural. Destes, 2,7 milhões se deslocam diariamente para estudar na cidade. A precarização das estruturas do ensino no campo é outro fator.


Em tempos de tecnologia da informação, apenas 16% das escolas do campo tem acesso à internet, acentuando o isolamento e a exclusão social já existente.