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Por Tiago Pereira
Da RBA


No próximo domingo (24), uma festa-show celebra o nascimento da rede Jornalistas Livres, que soma diversos coletivos de mídia, artistas, jornalistas independentes, repórteres, editores, fotógrafos e cinegrafistas, empenhados em praticar um jornalismo que ajude a para enfrentar a escalada da narrativa de ódio e o permanente desrespeito aos direitos humanos e sociais no Brasil. A festa do lançamento contará com shows, saraus, intervenções visando a aproximação dos comunicadores com artistas e movimentos sociais. A entrada é gratuita.


Entre os artistas confirmados estão Flora Matos, Rico Dalasan, Tássia Reis, Akiles (Projeto Nave), Slim Rimografia, Fola Kemi, Vj Suave, Yvison Pessoa (Quinteto Branco e Preto) e Sandro Borelli (Dança Contemporânea).


Comprometida com a democratização da informação, contra os interesses empresariais e ideológicos e a "ditadura de pensamento único", a rede Jornalistas Livres se apresenta como uma organização horizontal. "Somos noss@s própri@s patrões/patroas, somos noss@s própri@s empregad@s", diz o manifesto do grupo.


A jornalista Laura Capriglione, que integra o coletivo, conta que a iniciativa surgiu em março, durante as coberturas das manifestações da CUT e movimentos sociais, ocorrida no dia 13, e da direita, no dia 15.


"A gente sabia que a mídia tradicional ia fazer de tudo para 'invisibilizar' a passeata da esquerda e dos movimentos sociais, e ia fazer de tudo para 'glamurizar' o ato do impeachment, do golpe, da intervenção militar, como de fato eles fizeram", conta Laura, sobre os bastidores da reunião, nas vésperas das manifestações, que contou com a presença de cerca de 80 jornalistas e comunicadores.


Valorizando o gênero da reportagem, a proposta do coletivo é de produzir "um jornalismo humano, humanizado e humanizador", com diversidade de fontes e dos pontos de vista, destacando as denúncias de abusos aos direitos humanos, acompanhamento e fiscalização de políticas públicas.

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Os Jornalistas Livres declaram também defender uma imprensa independente, inclusiva, crítica, pluralista e desafiadora dos clichês e preconceitos, "baseado na colaboração de comunicadores que se indignam com a naturalização do genocídio da população negra, pobre e periférica, com as humilhações e assassinatos a que são submetidos membros da comunidade LGBT, com a negação da existência de índios e quilombolas; com a desigualdade e com as injustiças", segundo o manifesto.


Sobre a festa, Laura Capriglione diz que é o momento de confraternização e encontro entre amigos, companheiros e jornalistas, que compartilham da mesma luta pela democratização dos meios de comunicação, e dos movimentos sociais, que se utilizam da rede dos Jornalistas Livres para divulgar suas lutas.


Durante o evento, será lançado também a campanha de financiamento para o coletivo. "A gente quer, acima de tudo, que as pessoas que reconhecem e se reconhecem nessa nova mídia, que elas ajudem na sustentação".


Laura afirmou ainda que espera que os Jornalistas Livres possam contribuir na formação técnica dos coletivos de mídia dos movimentos sociais para que, assim, possam contar suas próprias histórias.


O evento de domingo deve contar com a presença dos deputados federais Jean Wyllys (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), além do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, do secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Eduardo Suplicy, e da presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel.


Também estarão presentes movimentos sociais, culturais e de mídia como o Levante Popular da Juventude, Liga do Funk, Nação Hip Hop, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), UJS (União da Juventude Socialista), Intervozes, Barão de Itararé, Associação Brasileira LGBT, Periferia em Movimento, Comissão Guarani Yvyrupa — CGY, FNDC (Fórum Nacional Pelo Direito à Comunicação).