Da Página do MST


A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje (9), a liberação do plantio comercial do eucalipto transgênico produzido pela empresa de biotecnologia FuturaGene, que pertence ao grupo Suzano Papel e Celulose.


A liberação foi aprovada pela comissão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em uma reunião a portas fechadas, por 18 votos favoráveis e três contrários.


Em recente entrevista ao MST, o integrante da CTNBio e professor da Universidade de São Paulo, Paulo Kageyama, alertou sobre os malefícios que a medida causará ao meio ambiente e a saúde dos brasileiros.


Para ele a busca pela primazia do domínio financeiro é que faz com que medidas como essa sejam tomadas a todo custo, mesmo com claros impactos catastróficos ao meio ambiente e à população.


"Temos muitas críticas a esse processo tecnológico, que não traz benefícios à comunidade como um todo, à própria eucaliptocultura, aos produtores de mel e etc. Muitas empresas do setor já reconheceram que essa é uma liberação prematura. A única grande interessada e justamente a única empresa beneficiada por esse processo é a FuturaGene/Suzano", disse.


O aumento no uso de agrotóxicos no Brasil, o maior consumidor de veneno do mundo, também preocupa o especialista.


“Em uma plantação de eucaliptos quase não se encontra biodiversidade. Não há sobrevida de insetos, animais.São usados em grande escala agrotóxicos à base de glifosato e de sulfluramida. Com o aumento em grande escala do monocultivo, mais o decréscimo no tempo de produção, o aumento na utilização de agrotóxicos é evidente, afirma Kageyama.


A espécie geneticamente modificada também vai impactar os pequenos produtores de mel orgânico, cultura que não admite transgênicos. A maioria dos produtores de mel é da agricultura familiar e poderá perder selos que reconhecem os alimentos como orgânicos e que agregam valor aos produtos.