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Da Página do MST


Na manhã desta terça-feira, cerca de 500 Sem Terra trancam três rodovias no estado do Mato Grosso: as BRs 163 e 070, e a MT 458.


As ações, que compõem mais um dia nacional de luta entre diversas organizações populares, cobram maior agilidade no processo de desapropriação de novas áreas à Reforma Agrária no estado.


Como aponta José Vieira, da direção estadual do MST, a situação é tamanha que as 200 famílias do Acampamento Silvio Rodrigues, no município de Mirassol D’Oeste, estão há 13 anos lutando para que a área seja destinada à Reforma Agrária.


“Por mais que os laudos identificam a improdutiva das áreas, os fazendeiros ficam recorrendo na justiça, e o poder judiciário local acaba suspendendo o processo administrativo das áreas”, explica.


Esta realidade não se limita apenas ao Acampamento Silvio Rodrigues. No Acampamento Cássio Ramos, no município de Cáceres, outras 200 famílias esperam há cinco anos a posse da área. Em Tangara da Serra, 220 famílias aguardam há três anos que o atual Acampamento Che Guevara um dia se torne um assentamento. Assim como as outras 180 famílias do Acampamento Pablo Neruda, em Taúba, há cinco anos debaixo da lona preta.


Outro problema apontado por Vieira é a força do agronegócio na região, que também disputa por essas áreas para a expansão do monocultivo de soja e eucalipto.  


“Sem falar da falta de vontade política por parte do governo federal, que poderia resolver esses problemas com maior agilidade, mas não fazem porque parece não interessa-los”, acrescenta.


Dia 7, dia de luta


As ações integram as diversas mobilizações que acontecem nesta terça em todo o país. Dezenas de organizações populares do campo e da cidade realizam mobilizações em defesa dos direitos trabalhistas, da saúde pública, da democracia, da Petrobras e das reformas política, agrária e da comunicação.


Nesta terça, o Congresso Nacional pretende aprovar o Projeto de Lei 4330/04, que libera a terceirização para todas as atividades das empresas. O PL tem o objetivo de abrir a contratação de terceirizados em qualquer atividade – seja ela intermediária ou final do processo produtivo – de uma empresa pública ou privada. Ou seja, tira a responsabilidade direta da empresa principal com o conjunto dos empregados.