Da Página do MST 
 

Nesta sexta-feira (20), as cerca de 13.400 mil famílias assentadas do MST gaúcho comemoram a 12°Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, com a presença da Presidente Dilma Rousseff, nos Assentamentos Integração Gaucha e Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre (RS).
 

A programação, que terá início 9h, com a abertura da festa, em seguida será inaugurado um silo secador de armazenagem de arroz, seguido de Ato político com a presença de autoridades, como a presidente Dilma, o Governador do Estado José Ivo Sartori (PMDB), João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST e Ermerson Giacomelli, representante do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico dos assentamentos do estado.
 

Para o coordenador nacional do MST no RS, Cedenir de Oliveira, a festa da colheita do arroz agroecológico não é somente uma conquista das famílias assentadas, mas a reafirmação da necessidade da Reforma Agrária popular. Demonstrando que, somente a partir desse modelo é possível produzir alimentos orgânicos e de qualidade, também em grande escala.
 

Atualmente, a maior produção de arroz orgânico do país é oriunda dos assentamentos gaúchos, que possuem uma área cultiva de 4 mil hectares, envolve mais de 450 famílias, em 14 assentamentos. A meta da na safra de 2015 é atingir a produção de 400 mil sacas.
 

“Essa forma de produção de arroz agroecológico representa uma das maiores experiências de cooperação agrícola do país, em que as famílias assentadas coordenam toda a cadeia produtiva”, explica o coordenador estadual do setor de produção do MST, Pardal Martins.
 

O modelo de produção adotado pelas famílias assentadas engloba um conglomerado econômico com vários níveis de cooperação: produção agrícola, agroindustrialização e comercialização. E, segundo Martins, possui um processo inovador de gestão, coordenado por um Grupo Gestor que organiza as famílias produtoras em grupos de bases, como grupos de produtores e cooperativas coletivas.
 

A produção do arroz agroecológico, tem como base o modelo da agroecologia, que busca estabelecer uma relação de integração entre o ser humano, os recursos naturais e equilíbrio com o ecossistema de áreas irrigadas da região.


Contexto

O arroz agroecológico começou a ser cultivado em 1999 nos assentamentos de Reforma Agrária da região metropolitana de Porto Alegre.
 

A comercialização do produto é coordenado pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), responsável pela inserção desse produto no mercado, e que detém a marca comercial “Terra Livre”.
 

Em geral, a maior parte da produção de arroz é comercializada no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o restante no mercado convencional, em supermercados e redes, como a rede Pão de Açúcar.


Desde 2004, o arroz recebe o certificado de produto orgânico com base em normas nacionais e internacionais, em todas as etapas da cadeia produtiva.

Além da produção de arroz agroecológico, com o apoio de sete programas do PAA, atualmente as famílias assentadas de 11 assentamentos da região metropolitana de Porto Alegre, também produzem hortaliças, frutas e verduras, para o abastecimento de entidades populares e assistenciais da região. Alimentando em média 35 mil pessoas.

Hoje, o MST gaúcho possui 13.400 mil famílias assentadas, vivendo em mais de 300 assentamentos de reforma agrária, presentes em todas as regiões do estado. Bem como, conta com 19 cooperativas para a agroindustrialização e comercialização da produção agrícola.