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Da Página do MST*


Estão crescendo em todo o país as manifestações de apoio à Petrobras vinculadas à defesa da soberania nacional. Após uma semana de atos contínuos, a próxima mobilização acontece no dia 13 de março com atos em todas as capitais do país.


Na última terça-feira (24), centenas de pessoas participaram do ato “Defender a Petrobras é defender o Brasil”, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).


Na ocasião, lideranças expressivas da sociedade civil, como o ex-presidente Lula, o jornalista Fernando Moraes e João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST, participaram da atividade. 


Para o secretário de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, a expansão do movimento começou “a tomar corpo uma consciência maior de que é fundamental não permitirmos a paralisação da Petrobras, como garantia da soberania do país e a importância da empresa para o desenvolvimento brasileiro.”


Na quarta-feira (25), o Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, promoveu no fim da tarde e início da noite a primeira reunião formal da Aliança pelo Brasil em Defesa da Soberania Nacional. O ato promovido pela entidade mostra que as mobilizações já ultrapassam a esfera dos petroleiros e trabalhadores.


O evento, chamado “Aliança pelo Brasil em defesa da engenharia e da soberania nacionais”, contou com representantes da CUT, União Nacional dos Estudantes, Sindicato dos Petroleiros do RJ, além do ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral e o ex-senador Saturnino Braga. O presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, representou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


Em texto divulgado em sua página na internet, o Clube de Engenharia diz que “a Aliança será um passo decisivo para o caminho de uma grande mobilização nacional”. Lembrando que os esforços tecnológicos da Petrobras proporcionaram avanços como a descoberta do pré-sal, em 2006, do qual o Brasil já retira cerca de 700 mil barris diários de petróleo, e que a companhia é responsável por uma cadeia produtiva da indústria naval, “induzindo o desenvolvimento tecnológico da empresa privada brasileira”, o texto conclui: “tudo isso está em risco”.


O cerco midiático-judiciário contra a Petrobras, segundo dirigentes sindicais e economistas, podem paralisar o país.


No ato da Associação Brasileira de Imprensa, o ex-presidente Lula afirmou: “Querem punir a Petrobras e criminalizar a política. A gente não pode jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas em uma família de 86 mil trabalhadores”. Para Lula, "a elite não se conforma com a ascensão social dos pobres que está acontecendo neste país".


Na mesma quarta-feira, petroleiros e sindicalistas também realizaram outro ato em Brasília em defesa da Petrobras. Na quinta-feira (26), a CUT de Alagoas promoveu encontro em Maceió.


Manifesto


Diversas entidades e pessoas assinaram um manifesto em defesa da Petrobras, no qual afirmam que as apurações de denúncias de corrupção na empresa desencadearam "um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia". A avaliação é de que há em curso uma campanha para "esvaziar" a Petrobras, por interesses econômicos.


A seguir, a íntegra do manifesto.


O que está em jogo agora


A chamada Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia.


Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.


Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles subserviente e em parlamentares com eles alinhados. 


Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial.


Por outro lado, esses mesmos setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos.


O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.


Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da CostaMarco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires


* Com informações da RBA