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Por Kaio Miotti e Natália Almeida Souza

Dá página do MST

 

O Projeto FLORA desenvolve o cultivo de agroflorestas, prática integradora entre o ambiente e a geração de renda, em áreas de reforma agrária

 

A conservação e a recuperação dos bens naturais são hoje uma das grandes preocupações mundiais. Em vista dos diversos problemas ambientais enfrentados, a sociedade está se mobilizando na direção de alternativas que minimizem os impactos negativos causados pela ação do homem.

 

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A partir de um diálogo entre conhecimento científico e popular, o Projeto atua na melhoria dos agroecossistemas aliada à geração de renda em áreas de reforma agrária. Patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental, atua em 42 municípios do estado, promovendo a recuperação de áreas degradadas e sua reconversão produtiva através da implantação de sistemas agroflorestais, onde são cultivadas desde hortaliças, leguminosas, árvores frutíferas, até a criação de animais. As agroflorestas são desenvolvidas com base nos ecossistemas naturais, basicamente, imitando e mantendo a dinâmica dos ciclos e processos naturais.

 

Dentre as ações do Projeto, estão a realização de seminários, oficinas com temáticas ambientais e a capacitação para implantação e manejo de sistemas agroflorestais, tais como a produção de café sombreado e o desenvolvimento de sistemas silvipastoris, prática que combina o cultivo de árvores, pastagem e gado.

 

A realização de Caravanas Ambientais em escolas situadas nos Assentamentos do MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) é outra ação do projeto, que, através de peças teatrais ou oficinas de produção agroecológica, orienta os jovens acerca de questões Socioambientais.

 

Intercâmbios entre as famílias participantes do Projeto também são realizados, promovendo a troca de saberes e práticas a partir da vivência coletiva em experiências agroflorestais exitosas.

 

“Hoje temos 621 unidades demonstrativas no estado, numa área total de 267,67 (ha), atingindo diretamente quase 500 famílias. Esse número não reflete exatamente as unidades, pois uma família pode ter mais de uma unidade ou tipo de sistema agroflorestal”, conta a engenheira agrônoma Ceres Luiz Antunes Hadich, que atua pelo projeto na região Centro-Sul do estado.

 

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Ceres Hadich ainda explica que o projeto contribui para a ressignificação da imagem das áreas de reforma agrária. “Outro princípio interessante que está sendo trabalhado é a filosofia da abundância, pois os assentamentos sempre foram vistos como um lugar vazio, e o avanço do sistema agroflorestal vêm de encontro à filosofia da abundância, seja de alimentos, seja de árvores.

 

Marcio Leandro Conrath, agricultor do Assentamento Carlos Lamarca em Congonhinhas, explica os benefícios do projeto. Para ele, “quebramos um paradigma de que a agrofloresta é um sonho distante. Agora se faz um desenho para a produção em trinta dias.” Márcio Conrath, que é um dos multiplicadores do Projeto, ressalta ao longo da conversa, que a agrofloresta é “um bom sistema de produção e geração de renda”.

 

Como se nota, as contribuições do Projeto Flora vão desde a produção de alimentos e a geração de renda para as famílias agricultoras, à manutenção e revitalização de florestas. Outro aspecto do projeto é a construção de sistemas de implantação de acordo com cada local e região, ou seja, em consonância com a fauna e flora, bem como saberes e tradições locais.

 

As ações desenvolvidas pelo Projeto neste período apontam os aprendizados e as potencialidades dos roçados consorciados com as florestas. A atuação do projeto vem provocando mudanças de paradigmas e a construção de alternativas diversificadas para os sistemas de produção agrícola, seja na visão dos próprios agricultores e agricultoras, das comunidades, dos técnicos e técnicas ou de todos que vivenciam essa experiência.

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