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Por Wesley Lima
 

Da Página do MST


Entre os dias 5 a 7/12, 500 mulheres Sem Terra de oito regiões da Bahia se reuniram no Seminário de Integração, Culminância e Avaliação do Projeto de Capacitação de Mulheres Assentadas e Acampadas no estado da Bahia.


Durante o projeto, que discutia o acesso a Políticas Públicas em São Gonçalo dos Campos, recôncavo baiano, as Sem Terra apontaram como os principais desafios o estudo, a organização e a luta contínua. 


O seminário foi construído para avaliar o processo de formação e capacitação que aconteceu durante quatro meses. Além disso, proporcionou a troca de experiências e a exposição de produtos confeccionados pelas trabalhadoras nos assentamentos e acampamentos. 


O projeto se baseava na organização coletiva para o acesso às políticas públicas do estado, utilizando-se de atividades de formação e oficinas que contou com a participação de centenas de mulheres. 


As oficinas discutiram o papel e a história da mulher na sociedade, a organização e as políticas públicas, compreendendo o processo de luta, emancipação e a construção da autonomia feminina.


Atividades de Integração


O encontro foi marcado pelas místicas que traziam reflexões sobre os desafios da mulher na sociedade, a construção de sua autonomia, o combate a violência e o fortalecimento da identidade quanto classe trabalhadora.


Além disso, as mulheres sempre estavam em rodas de conversas avaliando o projeto, socializando histórias e compreendendo as diversas realidades.


A noite cultural fomentou mais uma vez os aspectos da mulher, fortalecendo a unidade. 


Para Genilda Alves, do Assentamento Vale da Conquista, em Sobradinho (BA), “o seminário foi uma ferramenta importante para a organização das mulheres. Em nossas casas somos vítimas do machismo, e aqui estamos aprendendo o valor que temos diante da luta do povo e, principalmente, que juntas poderemos mudar a realidade”. 


Políticas Públicas


As primeiras mesas de debate analisaram o processo histórico e as questões políticas da atualidade.


Renata Rossi, do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), questionou o modelo social vigente, destacando a cultura de responsabilizar a mulher pela violência que sofre. 


Para ela, porém, o processo eleitoral deste ano foi fundamental para se perceber quem será beneficiado pelo Estado por meio das ações sociais. 


“A reeleição de Dilma Rousseff simboliza a continuidade de um governo que consegue abraçar e dialogar com os diversos setores da sociedade, inclusive com as bandeiras de luta defendidas pelas mulheres organizadas. Estamos tendo muitos avanços e nosso debate referente da autonomia e o combate a violência nunca foi discutido como está sendo”, enfatizou Renata.


Para a professora, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar voltado ao público feminino e a Lei Maria da Penha, são resultado do protagonismo da luta das trabalhadoras diante da história.


Desafios


O percurso trilhado pelas mulheres é composto por diversos desafios que garantam conquistas significativas.


Maria Rosa, da direção estadual do MST, acredita que o primeiro desafio é desenhar ações que organizem as trabalhadoras, cumprindo etapas importantes como a mobilização e a formação. 


“Precisamos avançar em nosso debate e nos propor realizar mudanças. Temos muitos espaços, como as lutas do MST. Devemos aproveitar isso para protagonizarmos nossas bandeiras e nos empoderar enquanto Mulheres Sem Terra”, afirmou. 


Organização


As mulheres saíram do seminário com o objetivo de fortalecer e mobilizar outras trabalhadoras a se organizar, além de construir coletivamente ações pontuais que garantam melhorias estruturais para todas. 


Também saíram com o objetivo de iniciarem o processo de organização dos núcleos de mulheres em todos os assentamentos e acampamentos da Bahia, buscando a construção de associações.


Outro desafio levantado foi a consolidação de espaços contínuos de formação em cada região, além de um acampamento estadual para relatar os avanços e construir linhas políticas de atuação.


O seminário foi uma iniciativa do MST em parceria com a SPM, Companhia de Ação Regional (CAR) e a Fundação Juazeirense para o Desenvolvimento Científico, Tecnológico, Econômico, Sociocultural e Ambiental (Fundesf).