Da Página do MST


O MST no Pontal do Paranapanema reuniu cerca de 150 educadores e educadoras para avaliar, planejar e refletir o fortalecimento da educação nas escolas dos assentamentos da região, além de demarcar os preparativos rumo ao 2° Encontro Nacional de Educação da Reforma Agrária (Enera).


O evento, que aconteceu na cidade de Teodoro Sampaio, é um marco no fortalecimento do setor de educação regional e no debate sobre a educação do campo.


O Pontal conta hoje com mais de seis mil famílias assentadas e a maior concentração de escolas em áreas de assentamentos do Brasil, além de ser foco de cursos de formação e qualificação fomentados por políticas públicas e mesmo por empresas do agronegócio na região, como a Odebrecht. 


No sentido de propor alternativas e linhas de ação dentro dessa realidade, Marisa Luz, militante do setor de eucação do MST, apontou que deve ser feito um levantamento para identificar a real situação das escolas e da educação no âmbito regional.


"Temos que fortalecer a discussão conjunta entre os vários sujeitos que compõem o corpo escolar sobre as questões referentes ao currículo e ao conteúdo vinculado à realidade social, cultural, econômica e política dos sujeitos do campo, no sentido de construir um conhecimento emancipador, diferente do modelo deslocado da prática e cotidiano dos educandos e educandas nas escolas que existe hoje. Para isso, é urgente o enfrentamento à ofensiva ideológica do agronegócio sobre as escolas do campo".


No sentido de aprofundar a reflexão, Alessandro Mariano, também do setor de educação do MST, problematizou que a ofensiva do capital sobre a educação se dá num período de crise; é a partir da queda da taxa de lucro que surgem iniciativas para "capacitar" e “qualificar” a mão-de-obra dentro de uma visão empresarial e na lógica da gestão e do aperfeiçoamento do processo produtivo para recuperação da acumulação. 


Esses são os interesses sobre a educação no campo de empresas como a Syngenta, Odebrecht, Fíbria. “Por isso, queremos uma educação que não seja somente qualificação profissional de mão-de-obra, mas sim voltada para a emancipação do ser humano que busque a felicidade, que só é possível coletivamente".


“O letramento é importante, não porque existe um preconceito contra o analfabeto, e sim porque é parte do processo de libertação do ser humano; o camponês precisa estar alfabetizado para atingir um melhor desenvolvimento em sua prática social e produtiva”, finalizou Alessandro.


Na segunda parte do seminário, foram socializadas experiências concretas na educação do campo, como o caso dos complexos de estudo desenvolvido nas escolas do estado do Paraná, e também foi proposto uma agenda de trabalho do setor de educação junto às escolas da região como forma de avançar no desafio da construção da educação do campo no Pontal do Paranapanema.