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Por Karina Vilas Boas 
Da Página do MST

Fotos: Eliel


O conceito de Reforma Agrária Popular foi debatido durante o segundo dia do 29° Encontro do MST no estado do Mato Grosso do Sul, no Centro de Pesquisa e Estudo Geraldo Garcia (Cepege), em Sidrolândia.


Da discussão, ficou claro que a questão da luta pela terra no atual momento histórico deixou de ser uma preocupação apenas dos camponeses e pequenos agricultores, e passou a ser do conjunto da sociedade brasileira.


A mesa de debate foi composta por Vilson Santin, da direção nacional do Movimento, José Batista, militante do MST de São Paulo, e o membro da direção estadual do MST, também José Batista. 


De acordo com José Batista (MST/SP), na concepção do MST, a Reforma Agrária perpassa necessariamente pela qualidade de vida da sociedade brasileira. Para ele, é preciso “lutar pela garantia da soberania alimentar, ou seja, o direito dos povos decidirem sobre o que plantar, quanto e como plantar, e que a produção seja prioritariamente destinada à alimentação”.


Batista disse ainda que nos últimos anos a agricultura e a luta pela terra passaram por transformações significativas e preocupantes. 


“Empresas e bancos estrangeiros, aliando-se aos latifundiários, passaram a investir pesados recursos na compra de terras e de empresas agrícolas para controlar toda a cadeia produtiva, da semente à agroindústria, fortalecendo o agronegócio e o plantio das monoculturas como a soja e a cana-de-açúcar. Portanto, precisamos nos organizar e intensificar as nossas lutas”, afirmou.


Já Vilson Santin deixou claro que o MST se preocupa com uma Reforma Agrária ampla, que democratize o acesso à terra, a água e os bens da natureza, impedindo que as grandes empresas se apropriem desses recursos naturais. 


“Na verdade, até hoje nunca tivemos uma Reforma Agrária no Brasil, apenas uma política de assentamentos, sem enfrentar de fato as causas estruturais da concentração de terras. É preciso pensar numa Reforma Agrária Popular para dar conta das transformações no campo, enfrentar a pobreza e o êxodo rural que o agronegócio tem imposto, para assim garantir a Soberania Alimentar”, ressaltou.


Segundo José Batista (MST/MS), o poder econômico do agronegócio impõe a produção de monocultivo a toda sociedade, além de influenciar para que os bancos liberem mais crédito agrícola para essas culturas do que para outros produtos que não são negociados nas bolsas de valores internacionais. 


José ainda colocou que a área agrícola de alimentos tem diminuído ano a ano para dar lugar aos monocultivos. “O resultado é que muito do que os brasileiros comem tem que ser produzido e importado de outros países, como é o caso do “feijão com arroz”, nossa comida mais comum”, concluiu.