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Da Página do MST


O MST realizou durante os dias 26 e 27 de novembro, no município de Mirante do Paranapanema, o II Encontro Regional de Agroecologia do Pontal do Paranapanema.


O evento reuniu mais de 400 participantes entre assentados, estudantes, profissionais da assistência técnica e extensão rural e acampados da região, além de representantes de várias instituições parceiras que compõem a articulação da “Rede Pontal Agroecológico”.


A abertura ficou a cargo de Delwek Matheus, da direção nacional do MST, e do professor Luiz Carlos Pinheiro Machado, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que apontou os desafios para a construção da agroecologia frente o atual modelo capitalista de produção, que segundo ele, passa por uma ruptura radical com a forma da agricultura convencional, que vem envenenando os solos e destruindo a agrobiodiversidade.

 

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"Precisamos ter clareza que a agroecologia é uma proposta muito mais avançada do que o agronegócio e através do PRV (Pastoreio Rotativo Voisin) podemos ver isso com a alta produtividade atingida na agricultura, mesmo que em pequenas áreas de terras, como o caso dos assentamentos", afirma Luiz Carlos.


Além disso, debateu o papel da juventude e das mulheres na construção da agroecologia da Reforma Agrária Popular, que apontou os desafios para o envolvimento dos jovens no debate e também as possibilidades da agroecologia enquanto alternativa para tirar as famílias da dependência dos venenos e da forma convencional de fazer agricultura. 


O encontro apresentou novas questões para o debate da agroecologia e apontou a necessidade de construir e socializar experiências concretas na região, por isso a proposta impulsionada pelo Movimento de construir um Centro de Referência em Agroecologia do Pontal do Paranapanema (CRAPP).


Ao final, os participantes aprovaram uma carta final que sintetizou as preocupações, linhas políticas e desafios para agroecologia no Pontal:


O II Encontro de Agroecologia do Pontal do Paranapanema foi mais uma demonstração da capacidade de articulação e mobilização dos Agricultores Familiares da região e consolidação da Agroecologia junto aos assentados da Reforma Agrária, da Soberania Alimentar e de um projeto popular para a agricultura. Após dois dias intensos de debates, discussões, reflexões e análises, reafirmamos e defendemos os seguintes pontos:


1. O modelo de agricultura fundamentado no agronegócio não interessa aos Agricultores Familiares nem aos demais trabalhadores do campo e da cidade, pois degrada a natureza, contamina os mananciais, produz alimentos envenenados com a utilização de agrotóxicos, cria dependência econômica e tecnológica, além de expulsar os camponeses da terra, gerando pobreza e miséria, concentração de riqueza, terra e poder.


2. A agroecologia é a única forma de produção que interessa aos Agricultores Familiares, aos demais trabalhadores do campo e da cidade e à sociedade como um todo, pois considera e respeita as diferentes formas de conhecimento, constituindo-se a base sociocultural, ambiental, econômica e ética para uma agricultura integrada, diversificada e saudável, contemplando os princípios da Soberania Alimentar.


3. Defendemos e trabalhamos para o resgate da agricultura tradicional e camponesa, no sentido de recuperar o conhecimento dos Agricultores Familiares dilacerado pelo agronegócio e pela agricultura convencional, em tecnologias de produtos e baseada em agrotóxicos.


4. O Brasil é um dos poucos países que ainda não realizou sua Reforma Agrária. Pelo contrário, nesse último período ocorreu um retrocesso em relação à concentração fundiária por parte das elites brasileiras e de grupos transnacionais, em detrimento de milhões Agricultores Familiares excluídos e privados do acesso à terra, ao conhecimento, ao trabalho e à dignidade. Nesse sentido, defendemos uma ampla e efetiva Reforma Agrária Popular, fundamentada nos preceitos da cooperação, da solidariedade e da Agroecologia.


5. Tendo em vista o papel estratégico da mulher na construção da Agroecologia em todas as suas dimensões, entendemos ser fundamental trabalhar, de maneira mais afetiva, as questões de gênero em seus diferentes aspectos, devido à importância da mulher na sociedade e as opressões de gênero que causam discriminação, preconceito e violência.


6. A juventude rural tem papel absolutamente fundamental para o fortalecimento e reprodução dos Agricultores Familiares enquanto sujeitos de uma agricultura verdadeiramente camponesa. Nesse sentido, entendemos ser premente a organização de coletivos e fóruns para debater e propor ações integradas, visando criar condições efetivas para que os jovens permaneçam no campo de maneira digna e com perspectivas concretas de construção de uma vida melhor.


7. Defendemos a ampliação e o aprimoramento de políticas públicas para o fortalecimento e consolidação da pesquisa, do ensino e de uma extensão rural comprometida com os princípios da agroecologia.


8. Entendemos ser fundamental a articulação e a integração de ações e projetos em agroecologia desenvolvidos por diferentes instituições, organizações e movimentos sociais, pois sem um processo verdadeiramente coletivo essa construção não se consolidará.


9. Nesse sentido, este Encontro reafirma e defende a criação do Centro de Referência em Agroecologia do Pontal do Paranapanema - CRAPP como um espaço de articulação e construção do conhecimento agroecológico com os Agricultores Familiares, mulheres e jovens do Pontal do Paranapanema, resgatando a identidade camponesa e construindo a Soberania Alimentar