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Da Página do MST 


O dia 27 de novembro entra na história da luta pela terra em Sergipe. Após 17 anos debaixo da lona preta, as 250 famílias do acampamento Zumbi dos Palmares receberam a imissão de posse da Fazenda Tinguí, localizada na região metropolitana de Sergipe, entre os municípios de Malhador, Riachuelo e Santa Rosa de Lima.


Os 1.986 hectares da área esteve constantemente visada pelo agronegócio frente à capacidade de desenvolver o setor da cana de açúcar na região.


A primeira ocupação das terras aconteceu em 1987, mas dois dias depois as famílias foram despejadas violentamente pela polícia, inclusive prendendo militantes do MST.


No dia 12 de março de 1997, 223 famílias realizaram uma segunda ocupação, e continuaram seguindo na esperança de conquistar seu pedaço de terra.


Desde então o acampamento Zumbi dos Palmares, além da sua forte organização interna, também deu exemplo na produção de alimentos. Por muitos anos o acampamento esteve presente nas feiras da Reforma Agrária realizada pelo MST na capital aracajuana.


Inhame, milho, macaxeira, quiabo, banana, maracujá, melancia, melão, batata doce, hortaliças são alimentos que expressaram a força da agricultura camponesa na região.


Nas ações realizadas pelo MST no estado ao longo dos anos, uma das pautas prioritárias era a desapropriação imediata da fazenda e o assentamento das famílias.


Em 2005, o presidente Lula assinou um decreto pela desapropriação da fazenda. No entanto, em 2011, por forte influência do agronegócio e da família Barreto, dona das terras, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou o decreto com argumento que uma terra ocupada não pode ser desapropriada.


Em 2013, com o objetivo de pressionar os órgãos públicos, os Sem Terra ocuparam a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos do Estado (COHIDRO), conquistando o repasse de seis lotes do perímetro irrigado Jacarecica II, totalizando 24 hectares, para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).


Segundo os Sem Terra, essa conquista demonstra quanto é importante continuar lutando contra as ofensivas do capitalismo no campo brasileiro, reafirmando a força do campesinato em busca de justiça social e uma vida digna.