Por Comunicação Via Campesina 

Da Página do MST
 

A juventude argentina mostrou sua força e sua luta no 14º Acampamento Latino-Americano CLOC-Via Campesina. Entre os representantes dos movimentos presentes, conversamos com Gonzalo Galvan, dirigente do Movimento Nacional Camponês Indígena (MNCI).
 
O MNCI, é um movimento de caráter nacional, presente em 11 províncias argentinas, que constituiu-se em 2007 e também faz parte da CLOC-Via Campesina. Com integrantes do campo e da cidade, busca organizar os povos tradicionais e indígenas da Argentina trabalhando em diversas áreas, como formação política, educação, saúde, agroecologia e memória histórica de seu povo e território.
 
"Buscamos estabelecer parcerias com outras organizações do nosso país, como o Movimento Evita - também presente no Acampamento da Juventude -, pois entendemos que nossas lutas se somam na dinâmica da luta política em nosso país", afirmou Gonzalo, um dos dirigentes do movimento.
 
Segundo Gonzalo, os anos 1990 trouxeram o fortalecimento de políticas neoliberais e com elas o maior número de tentativas de desapropriações dos territórios pertencentes ancestralmente aos povos originários. Durante os últimos 30 anos tem ocorrido diversos despejos violentos com apoio de paramilitares, dos governos locais e suas polícias, sem contar os inúmeros cortes ao acesso de água, energia e alimento dessas populações. Os despejos se dão principalmente para a implementação de monoculturas de pinheiro e soja.
 
Alguns dos territórios onde houveram desapropriações foram resgatados com a luta organizada dos indígenas nas diversas províncias do país. Alguns dos territórios resgatados se localizam em Santiago del Estero e Salta.
 

Acampamento Latino-Americano
 

Entre 2001 e 2013 o acampamento Latino-Americano da Juventude aconteceu na Argentina. Para Gonzalo, ter a juventude argentina presente no acampamento do Brasil serve como uma ferramenta potencializadora da luta para somar mais companheiros. Além disso, propicia o maior aprendizado e formação política sobre a realidade latino-americana nos diversos países e como os movimentos campesinos têm atuado para garantir a vida e dignidade dos povos do campo.
 
"Compartilhar nossos aprendizados sobre temas relevantes para a realidade latina me parece ser um dos principais objetivos do acampamento. Muito nos interessa compartilhar os saberes sobre temáticas relevantes como imigração, agroecologia, saúde, educação, direito ao território, dentre outros. E estes espaços de troca devem ser cada vez mais presentes nos espaços da Via Campesina", afirma Gonzalo.
 
De acordo o dirigente, a diversidade presente no acampamento dá mais força e mais esperança na luta pelos bens comuns, seja em que país for. Os principais desafios pós-acampamento elencados por ele foram fortalecer as organizações participantes e dar ao jovem a responsabilidade não só com o seu futuro, mas com o futuro do seu movimento e da luta revolucionária na América Latina. Para isso, deve-se aprofundar cada vez mais os espaços de formação política.
 
Gonzalo finalizou a conversa dizendo que os jovens são o futuro, mas que eles devem lutar por esse futuro que virá. Pois os jovens são os sujeitos políticos históricos capazes de impulsionar a luta revolucionária em nossa região!
 
Nenhum morto a mais! Pelo direito à terra!