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Da Página do MST


Nesta quinta-feira, 20 de novembro, entidades do movimento negro e ativistas anti-racistas saem às ruas para celebrar, pelo 11º ano, a luta de Zumbi e de todos os quilombolas. 


Na cidade de São Paulo, a concentração acontece às 11h no vão livre do MASP, na Avenida Paulista.


Segundo as entidades, mesmo já tendo passado mais de 126 anos da abolição, considerada inconclusa, negros e negras brasileiros ainda enfrentam obstáculos de natureza estrutural para conquistar sua plena igualdade.


Nos últimos anos, afirmam que a luta dos movimentos negros obtiveram conquistas importantes, com políticas públicas de inclusão racial, como as cotas nas universidades e nos concursos públicos, a instituição de ministério, secretarias e conselhos em âmbito federal, estadual e municipal para elaboração de políticas de igualdade racial, mas que o racismo continua presente na sociedade brasileira. 


O genocídio da juventude negra por forças policiais, as intervenções urbanas que isolam as periferias das grandes cidades, a pouca presença de negros e negras e da agenda anti-racista nos espaços institucionais do Estado, a recusa das universidades estaduais paulistas, USP e Unicamp a implantarem sistemas de cotas, entre muitos seriam apenas alguns exemplos de como se expressa o racismo.


“Entendemos que as causas deste racismo são estruturais. Todos os indicadores socioeconômicos demonstram que as pirâmides sociais e raciais coincidem, com brancos no topo, negros e negras na base. Em momentos de crise e estagnação econômicas, a população negra é a principal atingida”, afirmam as entidades organizadoras da marcha. 


Nesse sentido, apontam como solução dessas causas estruturais reformas profundas “que levem a constituição de outro modelo de sociedade, cujas instituições estejam organizadas de forma a atender as demandas da maioria da população que é negra”. 


Com isso, a agenda da 11ª Marcha da Consciência Negra defende sete eixos, como a Reforma Política por meio de uma Constituinte, a democratização dos meios de comunicação, a desmilitarização da polícia, a destinação de mais recursos para as políticas de inclusão racial, a implantação de leis antirracismo, o direito de expressão das religiões de matriz africana e contra o machismo e o feminicídio e a violência contra a mulher negra.


Estes sete pontos sintetizam a estratégia política do movimento negro, apontando para a necessidade de mudanças estruturais para que o combate ao racismo dê um salto de qualidade.