Da Página do MST


O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) se mostra preocupado com a atual conjuntura do país. Em nota divulgada neste domingo (16), a organização acredita que está em curso “um golpe contra a democracia” brasileira, um cenário muito parecido com 1954 e 1964.


Para o MPA, forças da direita, amplamente amparadas pelo monopólio midiático, procuram criar um “3º Turno Eleitoral”, deslegitimando o processo que permitiu a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. 


Para o movimento, é necessário “conscientizar nossas bases e a sociedade”, já que este “golpe é contra nós, contra os pobres, operários e camponeses de todo o Brasil e contra a soberania nacional”


Confira a nota na íntegra 


Avanços nas Conquistas Sociais para Impedir o Golpe


Documento MPA 2014


A Direção Nacional do MPA reunida em Brasília (14 a 16 de novembro de 2014) para analisar a conjuntura nacional concluiu que há UM GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA EM ANDAMENTO NO BRASIL e, diante disto, expressa sua posição:

O cenário atual é muito semelhante aos de 1954 e 1964, de resultados trágicos para a Nação Brasileira, com longos períodos de empobrecimento do povo, de entrega do patrimônio nacional e de ditadura política.

Nos cenários anteriores, o centro da disputa era o petróleo e a Petrobras, com violenta campanha de imprensa contra as forças populares e o combate à corrupção usado como cortina de fumaça para enganar a população.

O objetivo real não foi e não é combater de fato a corrupção, estrutural na sociedade brasileira e que precisa ser realmente combatida. O que se quer de fato é interromper, como se fez no passado, um processo de distribuição de renda e poder para as classes trabalhadoras da cidade e do campo e entregar o patrimônio nacional, principalmente o petróleo do pré-sal, as riquezas naturais e as terras paras as multinacionais.

O GOLPE POLÍTICO que está em andamento é um 3º Turno Eleitoral, fomentado pela direita e por forças imperialistas amplamente amparadas pelo monopólio midiático (também conhecido como Partido da Imprensa Golpista).

Temos que conscientizar nossas bases e a sociedade que este GOLPE é contra nós, contra os pobres, operários e camponeses de todo o Brasil e contra a soberania nacional.

O que está mesmo em disputa são as riquezas nacionais, principalmente os bilhões de barris de petróleo do pré-sal e que temos que defender com unhas e dentes, pois são a nossa chance para construir uma Nação Soberana, com acesso universal a saúde e educação e a condições dignas de vida e trabalho para todos os brasileiros e brasileiras.

Além disto, o Brasil, junto com os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) garantem ao mundo um outro polo de poder, paz e desenvolvimento não dependente das potências capitalistas da Europa e América do Norte.

Ao mesmo tempo a integração latino-americana, através da Unsaul e Mercosul, são fundamentais para a superação das mazelas que afligem nossos povos e enfrentar o domínio imperialista sobre nossos territórios.

A vitória eleitoral de Dilma Roussef foi uma vitória do povo brasileiro, dos pobres, da mídia popular e progressista, da militância dos movimentos populares e dos partidos de esquerda, principalmente o PT, dos que conquistaram a duras penas o direito a uma vida melhor nos últimos anos e o acesso a alguns direitos negados à mais de quinhentos anos e contra o poder econômico, contra os partidos tradicionais, contra o preconceito, os interesses de divisão nacional e contra toda a mídia nacional e suas manipulações.

É, portanto, uma vitória da democracia, da justiça social, do respeito aos pobres, do respeito à diversidade, da soberania nacional, das nossas riquezas, da distribuição de renda, do emprego, da superação da fome, do apoio à produção de alimentos.

Esta vitória é nossa e precisamos defendê-la. É a vitória de um projeto que precisa ser aprofundado, com a participação das forças populares organizadas e da população, com o aprofundamento da distribuição da renda e da terra, com um conjunto de reformas que precisam ser implementadas, entre elas:

- Reforma Política;

- Reforma Agrária;

- Democratização dos meios de comunicação social;

- Plano Camponês para a produção de alimentos saudáveis;

E implantar e aprofundar políticas públicas para o campo, como:

- Programa Camponês, Habitação Camponesa, Programas de Abastecimento Popular, Escolas no Campo e educação camponesa, Assistência Técnica, Agroindustrialização, Crédito Subsidiado, apoio a Agroecologia, entre outros.

Em nosso entendimento, ações de governo neste sentido e, da mesma forma, com outros setores sociais populares, consolidarão uma aliança social de base, unificando Movimentos Sociais, Partidos de Esquerda, Organizações Democráticas da Sociedade, com força, unidade e consciência política, capaz de barrar qualquer Golpe e avançar decididamente em direção ao aprofundamento das transformações sociais e políticas que o povo brasileiro quer e precisa e que demonstrou com seu voto livre nas urnas.


Brasília, 16 de novembro de 2014

Direção Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores