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Por Maura Silva
Da Página do MST


Entre os dias 17 e 30 de outubro, em todo o mundo estão sendo feitas ações de apoio pedindo a liberdade do palestino Ahmad Sa'adat. 


Sa'adat é secretário-geral da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP), e desde 2001 está preso sob custódia israelense (Clique aqui aqui para ler mais sobre a campanha). 


No Brasil, o MST enviou uma carta de agradecimento à Sa'adat pela mensagem recebida no 6° Congresso Nacional do Movimento. Um trecho da carta diz que “as grades das prisões israelenses não podem prender ideias, sentimentos, desejos e vontade de transformação. As grades das prisões israelenses não podem deter esse sentimento de justiça e liberdade que hoje toma conta de toda a humanidade. Os prisioneiros palestinos já conquistaram o apoio de todos os homens e mulheres do mundo que lutam por uma nova sociedade”.


A Palestina também foi tema da Jornada Nacional dos Sem Terrinha, que aconteceu ao longo de todo o mês de outubro deste ano, que teve como eixo principal a solidariedade com as crianças que vivem sob ocupação israelense, em especial as de Gaza, que recentemente foram vítimas de bombardeios na chamada operação “Margem Protetora", que em sete semanas de ataques matou 412 crianças palestinas. 


Nesta terça-feira (28), no encontro mundial dos Movimentos Sociais promovido pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (Santa Sé), realizado no Vaticano e que contou com a presença do Papa Francisco, o MST entregou a representantes da Union of Agricultural Work Committees (UAWC) 50 bolas do Movimento, além de desenhos, cartas e poemas escritos pelas crianças do MST durante a jornada, que serão entregues às crianças palestinas.


O drama das prisões


Segundo dados publicados em setembro pela Associação de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos (Addammer), o número de presos políticos em territórios palestinos já somam 6.200. Destes, 201 são crianças, 23 menores de 16 anos. 


Informações da mesma associação dão conta de que desde 1967, mais de 750 mil palestinos foram presos pelo Estado de Israel, o que soma 20% da população dos territórios ocupados. Se considerarmos que a maioria destes detidos são homens, o número de pessoas sob custódia sobe para 40% do total da população palestina masculina.


A maioria das detenções não apresenta acusação formal, prática comum do exército e endossada pelas leis da Corte militar israelense. 


Detidos rotineiramente em pontos de controle (checkpoints), ou em suas próprias casas, homens, mulheres e crianças são levados para celas e trancados em condições insalubres, com alimentação restrita, condições básicas de higiene negadas - a Autoridade Israelense das Prisões (AIP) não fornece produtos básicos de higiene e limpeza -, além de passarem por privação do direito de defesa e de visita.


Os familiares que desejam visitar os encarcerados precisam de um visto de entrada em Israel, que pode levar meses para ser concedido. Além disso, o governo israelense faz o possível para restringir ainda mais as visitas por meio de medidas como a que proíbe a entrada de homens de 16 a 45 anos nos presídios e o não consentimento de autorizações sem explicação prévia.


Não obstante, desde junho de 2007, as autoridades israelenses proibiram por completo as visitas de pessoas oriundas de Gaza aos seus familiares presos em Israel.


As denúncias de torturas físicas e psicológicas também são freqüentes, espancamento, negligencia e mortes fazem parte da rotina dos presos que fazem da greve de fome um protesto para chamar a atenção do mundo para as suas condições.


Em recente visita ao Brasil, Abla S’adat, do Comitê de Mulheres Palestinas e companheira de Ahmad Sa'adat, fez várias denúncias ao sistema carcerário israelense. 


“Basta o serviço de inteligência de Israel apresentar informações secretas sobre qualquer militante considerado perigoso para este ser preso sem acusação formal desde 2001. Os nossos presos vivem em solitárias ou celas de duas pessoas, que não têm mais do que 2 por 2,5 metros, uma ou duas macas para dormir. Saem por uma hora por dia para tomar sol e são impedidos de receber visitas de parentes ou realizar atividades culturais”, finaliza. 


Abaixo, leia a carta do MST na íntegra intregue a Ahmad Sa´adat 


Carta ao companheiro Ahmad Sa´adat – Secretário-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP)


São Paulo, Brasil, 27 de outubro de 2014.


Queremos agradecer a bela mensagem de solidariedade que nos enviou no VI Congresso de nossa organização, realizado no início deste ano. Lá, lemos sua carta para 18 mil trabalhadores sem terra que se comprometeram a fortalecer a solidariedade ao povo palestino, em especial aos prisioneiros que estão nos cárceres israelenses.


Saiba que um dia teremos condições de falar pessoalmente com você e com outros militantes dessa luta legítima por justiça, democracia e independência nacional, pois um dia veremos desaparecer a ilegal ocupação israelense das terras palestinas.


Aqui no Brasil nos somamos a várias lutas em defesa do povo palestino: ações pelo boicote e desinvestimento contra Israel, manifestações de rua, encontros dos comitês de solidariedade, Tribunal Popular que julgou e condenou Israel por crimes de genocídio, etc.


Em todo o Brasil houve atos de solidariedade ao povo palestino entre julho e agosto desse ano, com especial atenção para a situação de agressão e genocídio contra o povo de Gaza. Militantes de várias organizações populares, do movimento sindical, do movimento estudantil, de várias religiões (judeus, cristãos, muçulmanos, religiões africanas), dos partidos de esquerda foram às ruas contra o governo de Israel. Na cidade de São Paulo 5 mil pessoas marcharam e cercaram o prédio do Consulado de Israel, exigindo o fim dos ataques a Gaza, o fim da ocupação israelense e a libertação dos presos palestinos.


Nesta semana de 17 a 30 de outubro também participamos da Campanha Internacional pela sua libertação. Estamos mobilizando militantes de várias organizações e realizando reuniões, debates, encontros e iniciando uma Campanha de cartas para serem enviadas para você e seus camaradas na prisão, para que saibam que mesmo distante pela geografia, estamos com vocês nessa luta que já é vitoriosa.


Apesar de todo massacre que houve em Gaza, e da repressão de Israel na Cisjordânia, em Jerusalém e nos territórios ocupados em 1948, percebemos que grandes lições foram retiradas da resistência popular na Batalha de Gaza. Nossa esperança se fortalece quando vemos a unidade política do povo palestino sendo construída na luta cotidiana contra a ocupação israelense. Gaza mostrou que nenhuma organização isolada pode derrotar a agressão israelense, mas o povo unido pelas suas legítimas organizações torna-se uma força social invencível. 


Você sempre fala em unidade nacional contra a ocupação israelense, e esse é o caminho da vitória. Assim foi no Vietnã, assim foi para derrubar o regime do Apartheid na África do Sul e assim foi para derrubar as ditaduras aqui na América Latina.


As grades das prisões israelenses não podem prender ideias, sentimentos, desejos, vontade de transformação. As grades das prisões israelenses não podem deter esse sentimento de justiça e liberdade que hoje toma conta de toda a humanidade. Os prisioneiros palestinos já conquistaram o apoio de todos os homens e mulheres do mundo que lutam por uma nova sociedade.


Na história da luta dos povos da América Latina também tivemos nossos presos e nossos mártires, e aprendemos que a luta e a resistência são o único caminho que pode levar à libertação e ao fim das injustiças.


Acabamos de sair de uma batalha eleitoral onde conseguimos derrotar o candidato da direita, que representava os interesses dos setores mais conservadores e fascistas, ou seja, dos setores políticos pró-Israel. Os sionistas do Brasil se mobilizaram nas eleições, mas foram derrotados nas urnas. Sabemos dos limites das eleições burguesas. Não alimentamos ilusões, mas a vitória de Dilma mantém condições mais favoráveis para a luta em solidariedade ao povo palestino.


Camarada Ahmad Sa´adat, sua coragem e sua coerência nos inspiram, pois vivemos um momento onde homens e líderes se vendem, traem seu povo, abandonam seus princípios e escolhem o fácil caminho da capitulação e da submissão covarde diante dos inimigos do povo. Você e seus camaradas escolheram o caminho mais difícil, mas é o caminho mais justo, o caminho mais correto, e o povo palestino já reconhece esse sacrifício e já tem a capacidade de ver quem são seus legítimos representantes na luta contra a ocupação israelense.


Também lembramos neste momento de nossos irmãos e irmãs camponeses, pescadores e trabalhadores rurais, que sofrem com a proibição do acesso à terra, à água e ao mar, recursos fundamentais para que possam ter uma vida digna.


A luta do povo palestino é um legítimo movimento de libertação nacional, inspirado nos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional. Seguimos apoiando o direito legítimo do povo palestino de continuar a luta pela devolução de todas as suas terras, as ocupadas em 1948, em 1967 e depois dos Acordos de Oslo. Pelo fim da ocupação israelense da Palestina, liberdade imediata a todos os presos políticos, todos apoio à unidade nacional palestina, pelo direito de retorno de todos os refugiados palestinos e indenização para os que tiveram suas casas e bens destruídos, pelo boicote econômico, político,cultural e militar contra Israel, pela derrubada imediata do muro do Apartheid, pelo fim dos acordos militares Brasil-Israel, pelo fim do Tratado de Livre-Comércio Mercosul-Israel.


Camarada Ahmad Sa´adat, receba o abraço solidário dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e da América Latina. Compartilhe nossa solidariedade com todos os presos palestinos, de todas as organizações, pois a unidade que vocês conseguiram dentro das prisões está chegando às ruas da Palestina, e essa é a condição fundamental para a vitória.


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra  - MST

Brasil