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Da Página do MST
Do Setor de comunicação MST/RS


O tempo chuvoso e frio não espantou a animação e alegria dos 500 Sem Terrinhas gaúchos no 17º Encontro Estadual dos Sem Terrinha no Rio Grande do Sul, em que realizaram a Mostra Estadual de Arte e Cultura dos 30 anos do MST nas Escolas do Campo, estudos, atividades esportivas e recreativas.


Os Sem Terrinha também participaram de debate sobre a soberania alimentar e produziram textos e desenhos em solidariedade ao povo palestino, que serão enviados às crianças da Faixa de Gaza.

 

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O Encontro ocorreu entre os dias 14 a 16 de outubro, reunindo crianças de 14 regiões do estado no Parque de Exposições, em Esteio, e no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), em Porto Alegre.


A coordenadora estadual do setor de educação do MST, Josene dos Santos, ressalta que além dos estudos e brincadeiras, este foi um momento em que as crianças Sem Terra retrataram a história dos 30 anos do Movimento.


“A partir da temática dos 30 anos, as escolas do campo se sentiram desafiadas em estimular a produções de artes pelas crianças, o que enriqueceu os trabalhos e trouxe mais animação. Os Sem Terrinhas atuaram como sujeitos do processo de construção e elaboração desse conhecimento”, explica Josene.


No CETE as crianças participaram de diversas atividades de recreação, como cama elástica, oficinas de judô, capoeira, hapkido, atletismo, futebol sete, basquete, vôlei, ginástica olímpica e atletismo.


 

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Mostra de Arte


Um dos momentos mais importantes do encontro foi a presentação da Mostra Estadual de Arte e Cultura dos 30 anos do MST, que reuniu mais de dez trabalhos realizados pelas escolas dos assentamentos.


Os trabalhos englobaram diversas áreas do conhecimento. Foram apresentadas experiências de painéis de artes com sementes, teatros, poesias, músicas, peças de artes plásticas, inovações tecnológicas na área de energia solar, fotografia, experiência com ervas medicinais e feira de sementes crioulas, alfabeto didático retratando a realidade do campo, projeto de mapeamento de estradas dos assentamentos, entre outros.


Alguns trabalhos se destacaram pela criatividade e capacidade de envolvimento dos educandos e das comunidades no processo de construção. Entre eles, os da Escola Antônio Conselheiro, do assentamento Bom Será, em Livramento, e Escola Nossa Senhora de Fátima e Rui Barbosa, no assentamento Filhos de São Sepé, em Viamão.


Para Roberta Maciel Lucas, professora da Escola Antônio Conselheiro, o processo de preparação da Mostra aconteceu durante todo o ano, ao envolver os educandos da pré-escola a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

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Arte em cerâmica, pintura em madeira, máscaras em gesso – representando lutas que marcaram a história, como o Massacre de Eldorado dos Carajás -, mandala de sementes, painel com artesanato de fuxico e a releitura da música Ordem e Progresso foram alguns dos trabalhos artísticos desenvolvidos a cada ciclo escolar pelos educandos sobre a temática dos 30 anos.


Nas Escolas Nossa Senhora de Fátima e Rui Barbosa, em Viamão, os educandos construíram uma maquete viva com plantas medicinais, que mostra qual erva deve ser ingerida pelo corpo humano em cada horário.


A educanda de 14 anos da nona série, Amanda Zang dos Santos, explicou que o trabalho retrata uma horta mandala construída pelos educandos na escola, que dimensiona o relógio do corpo humano a partir do tratamento com ervas medicinas.

 

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“Com garrafas pets, estruturamos a maquete em formato de mandala, onde plantamos as ervas medicinais e fizemos uma irrigação para manter as plantas vivas”, conta.


Já os educandos e educares da Escola Rui Barbosa apresentaram um painel de sementes e uma exposição fotográfica sobre a vivência das famílias assentadas, realizada a partir de oficinas de fotografias.


Os trabalhos selecionados serão apresentados na Mostra Nacional de Arte e Cultura dos 30 anos do MST. 


 

Projeto estradas do Campo


Durante a Mostra, a Escola Antônio Conselheiro também apresentou o Projeto “Construindo Caminhos para a Valorização do Espaço em que Vivemos”, desenvolvido desde o ano passado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Livramento. 

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A proposta é nomear as estradas dos dez assentamentos atendidos pela escola para eliminar os apelidos, por dificultarem o acesso das famílias aos serviços básicos, como correio, telefone e transporte escolar.


Além de já ter sido premiado em segundo lugar na Feira Regional de Ciência e Tecnologia, e em primeiro lugar na categoria de ensino médio, durante a Feira Estadual das Escolas do Campo, o projeto é um dos finalistas da Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia, que será realizada em novembro deste ano, em Novo Hamburgo (RS). 


As crianças de 7 a 14 anos reivindicam escolas nos assentamentos e acampamentos, voltadas para a realidade das famílias do campo e políticas públicas para a produção de alimentos saudáveis.


O Encontro faz parte da Jornada Nacional dos Sem Terrinha do MST, realizada desde 1994, durante a semana do Dia da Criança, em outubro.