Por Maria Aparecida
Da Página do MST


Para celebrar o Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, diversas entidades da sociedade civil, governos e conselhos estaduais e municipais de todo Brasil promovem, entre os dias 16 e 25 de outubro inúmeras atividades com o objetivo principal de incentivar e reforçar a importância da agricultura familiar na alimentação dos brasileiros.


O Dia Mundial da Alimentação foi criado com o intuito de chamar a atenção para a fome e a insegurança alimentar que afetam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. A data foi escolhida para lembrar a criação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 1945. No Brasil, a celebração foi ampliada e transformada na Semana Mundial da Alimentação.


A cada ano um tema é escolhido e a partir dele são realizadas diversas atividades artísticas, cursos, debates, feiras, entre outras. Neste ano, o tema é “Agricultura Familiar – Alimentar o mundo, cuidar do planeta” e está voltado às comemorações do “Ano Internacional da Agricultura Familiar, Camponesa e Indígena”.


Em São Paulo, o MST participa, junto com outras organizações, da atividade que é um dos destaques na programação, a “1ª Feira de Produtos Orgânicos da Agricultura Familiar”. Em sua barraca, vários produtos que mostram parte do que é produzido nos assentamentos de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e outros, como o arroz, a cachaça e o suco. Produtos em sua maioria já processados, o que a diferencia das demais barracas, que trazem grande parte dos produtos “in natura”.


De acordo com o Supervisor Geral de Abastecimento da prefeitura de São Paulo, Marcelo Mazeta, as atividades contam “com um viés específico que é orientar as pessoas a terem um hábito alimentar melhor, a olharem para a produção de uma maneira diferente e buscar um modo de vida mais saudável”. Segundo ele um dos objetivos é “integrar campo e cidade a partir da produção de associações, movimentos e cooperativas do Estado, do Brasil e da cidade de São Paulo”.


Para isso, a produção vinda dos pequenos agricultores deve ser comercializada também dentro dos equipamentos públicos, o que inclui o Mercado Municipal de São Paulo, onde acontece a feira. “A ideia é trazer pra dentro desse ícone da gastronomia, visto por muitos como um espaço somente turístico ou da elite paulistana, o cidadão comum, trazer pra dentro do salão de eventos o produtor, para que as pessoas dialoguem diretamente, para que tenham acesso a um produto de qualidade e ouçam do produtor sobre o que é essa produção”, declara Marcelo.


Adalberto Oliveira, do Setor de Produção do MST, concorda com Marcelo a respeito do contato direto produtor–consumidor e na utilização dos espaços públicos. “Com a feira conseguimos romper com duas questões: o atravessador e as redes de supermercados. Conseguimos romper com a demanda do mercado institucional, criar certa independência e garantir que o produto chegue diretamente ao consumidor. Sendo no espaço do Mercado Municipal tem uma simbologia maior ainda porque é um espaço público que cumpre uma função explicitamente comercial”, afirma.


Pensando os próximos passos, no final da tarde deste sábado (18) está marcada uma reunião dos produtores com a prefeitura de São Paulo para uma avaliação da experiência da feira. Nela, os produtores terão espaço para falar sobre o que acharam e quais podem ser os encaminhamentos. Adalberto acredita que deve haver um planejamento para construção de mais espaços como este. “Nós temos os produtos, precisamos de espaços para comercializar e acho que o papel das prefeituras é o de viabilizar espaços de comercialização. Espero que dessa reunião a gente consiga sair com algo concreto”.


Soberania Alimentar


Uma das questões que sempre se discute quando pensamos agricultura familiar e produção orgânica versus a produção em grande escala, com o uso de agrotóxicos, é a soberania alimentar. Para Gilvan Santos, também do Setor de Produção do MST, “falar em soberania significa primeiro atender as necessidades dos assentamentos. A primeira necessidade de avançar na produção dos assentamentos é que os assentados possam viver dignamente no meio rural, a outra é que a gente precisa ter essa capacidade de produção de alimento para oferecer para a sociedade”.


Para isso, é preciso que as políticas públicas deem conta de garantir minimamente essa capacidade de produzir, dando aos produtores as condições necessárias para isso. “Qualquer iniciativa dos governos de apoiarem a agricultura familiar, a Reforma Agrária é um sinal de apoio à soberania alimentar”, finaliza.