Por Rafael Soriano
Da Página do MST 

Fotos: Gustavo Marinho 


A partir desta quinta-feira (9), homens e mulheres organizados no MST disponibilizam à cidade de Arapiraca e à região Agreste de Alagoas  toneladas de produtos vindos das áreas da Reforma Agrária no estado. 


A 2ª Feira da Reforma Agrária de Arapiraca acontece entre os dias 9 e 11/10, com apresentações culturais todas as noites a partir das 17h. A cerimônia de abertura ocorre nesta quinta-feira, às 18 horas.


Depois do sucesso de quinze edições na capital, a Feira da Reforma Agrária consolida sua chegada na segunda maior cidade do interior de Alagoas, ampliando o diálogo com a população urbana e rural sobre a necessidade e os benefícios da luta pela Reforma Agrária Popular. 

O evento é um instrumento que, junto com as lutas de todo ano, materializa para a sociedade o resultado da divisão das terras e da cooperação no trabalho dos camponeses.


Todos os alimentos trazidos desde o Sertão ou da Zona da Mata, bem como do próprio entorno de Arapiraca, são cultivados segundo uma lógica de produção que contrapõe o atual modelo dominante na produção agrícola. 



“A luta dos Sem Terra, aqui apresentada na sua melhor forma com cores, cheiros e sabor de alimentos saudáveis, é fruto do modelo perverso que as multinacionais impuseram no último século ao campo”, analisa Débora Nunes, socióloga, membro da coordenação nacional do MST.


A militante critica o modelo do agronegócio, marcado pelo afastamento do camponês de sua terra, cercada em grandes latifúndios; pela intoxicação de lavouras e da alimentação com toneladas de veneno; e pela financeirização do setor da agricultura (vínculos ao crédito bancário), o que tem endividado famílias Brasil à fora. 


“Essas contradições só podem ser resolvidas pela adoção de um novo modelo de organização e vida no campo, para nós sintetizado na Reforma Agrária Popular”, afirma.


O MST defende e expressa com a 2ª Feira da Reforma Agrária de Arapiraca um padrão de produção e vida no campo em convivência com a Natureza, criando condições para uma transição agroecológica. 


Desmente, inclusive, a tese de que alimentação orgânica e agroecológica “só pode ser cara e comprada por gente rica”, pois na estratégia da venda direta do agricultor ao consumidor, como nas feiras, os preços despencam.


Este modelo de produção, que revive na prática os saberes milenares de nossas culturas negras, índias e camponesas tradicionais, apresenta-se, portanto, como forte possibilidade de desenvolvimento de Alagoas, estado de economia marcantemente agrária. 


A divisão das terras e, com isso, das riquezas, com aumento da renda da população do campo, surte efeito imediato na zona rural. Contudo é também sentida de forma intensa nas cidades, hoje superlotadas.


“O povo da cidade se encontra obrigatoriamente com o povo do campo todos os dias pelo menos três vezes: no café-da-manhã, no almoço e no jantar. A luta pela Reforma Agrária Popular e a produção camponesa resolve uma dupla questão nas grandes cidades”, observa Débora. 


Para ela, a Reforma Agrária é a garantia de sobrevivência das futuras gerações, com alimentos saudáveis e relação harmônica com o meio ambiente e, ainda, impede o êxodo e o inchaço das metrópoles com a fixação dos trabalhadores rurais no campo.