Da Página do MST


Na tarde desta quarta-feira (1), uma comissão de dirigentes do MST no Distrito Federal se reuniu com a presidenta substituta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Érica Galvani Borges, e com o chefe de gabinete do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Rafael Ferreira Simões Pires, para exigir a desapropriação da fazenda de propriedade da senadora e candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Ana Amélia Lemos (PP).


Trata-se de um latifúndio improdutivo de 1.909 hectares, dividido em diversas glebas, localizado no município de Formosa (GO), na divisa entre o DF e Brasília. 


Segundo os Sem Terra, existem diversos assentamentos e acampamentos na região, o que demonstra o potencial produtivo e mobilizador da área, considerada improdutiva. 


A fazenda da senadora conta somente com 600 cabeças de gado, número considerado muito baixo tendo em vista a dimensão da área. Dessa forma, os representantes do MST cobram para que seja cumprida a função social da propriedade.


Segundo Maria Lucimar, da direção nacional do MST no DF, desapropriar a fazenda é fazer valer a constituição brasileira, ainda mais num momento em que o povo brasileiro está desacreditado no sistema político vigente. 


“Vemos com muita desconfiança uma candidata a governo estadual não declarar um imóvel tão grande, avaliado em mais de R$ 4 milhões. É preciso fazer valer a constituição federal por meio da desapropriação desta área para fins de Reforma Agrária”, coloca. 


Lucimar afirma ter muitas famílias necessitando de terra para produzir. “No Brasil, existe a demanda de alimento saudável à população, que só tem acesso a alimentos transgênicos e envenenados. Por isso vemos como inadmissível esses casos de acúmulo de terra apenas para a especulação”.


A Sem Terra ainda lembrou que nessa região aconteceram inúmeros processos de expropriação de terras dos camponeses durante a ditadura militar, tendo a presença de uma das maiores áreas de treinamento do exército rodeada de grandes latifúndios. 


A ligação do ex-marido de Ana Amélia, o senador biônico Octávio Omar Cardoso (falecido em 27 de fevereiro de 2011), com a ditadura reforça indícios desse processo de grilagem.


Durante a reunião, o Incra e o MDA se comprometeram em fazer a vistoria técnica da área e realizar os encaminhamentos para destinação da área para Reforma Agrária.