Por Felipe de Sena
Da Página do MST

 

 

Com o objetivo de fortalecer a Agroecologia no estado de Sergipe, os movimentos sociais do campo realizaram um conjunto de atividades entre os dias 23 a 25/09, no município de Poço Redondo, alto sertão sergipano.


Entre os dias 23 e 25, no município de Poço Redondo, Alto Sertão Sergipano, o MST, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Centro de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro (CFAC) realizam um conjunto de atividades para fortalecer a Agroecologia no Estado.


O filme “O Veneno Está na Mesa II”, do cineasta Silvio Tendler, foi o mote que deu início à atividade, realizada pelo MST, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Centro de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro (CFAC).


Junto aos estudantes da Escola Municipal Justiniano de Melo e Silva e à EMBRAPA, os militantes debateram sobre os riscos dos agrotóxicos à saúde humana e à natureza, as consequências do modelo do agronegócio, e pautando a agroecologia como forma alternativa de produção de alimentos.


Na quarta-feira (24), foi realizado o Seminário Regional de Agroecologia da ATES. O objetivo desse momento foi trazer a problemática do agronegócio na região, os problemas ocasionados pelo uso do veneno e quais as possíveis soluções do problema.


O seminário contou com a participação de famílias camponesas e assentadas da Reforma Agrária, pela militância dos movimentos e técnicos da assistência técnica na região.


O debate também reafirmou a importância da produção camponesa e suas práticas tradicionais como formas de enfrentamento e resistência camponesa.


A participação do Ministério Público do Trabalho de Sergipe, posicionando-se contra o uso dos agrotóxicos, serviu de estímulo para retomada da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida na região.


Pela tarde, a Rede Sergipana de Agroecologia (RESEA) ajudou na construção de um novo olhar para o território, a partir das potencialidades da região.


Para Ram Sashi, engenheiro florestal que contribuiu na metodologia, o trabalho é feito “a partir de uma construção e análise coletiva, e daí observamos as dificuldades e potencialidades a partir do conhecimento dos camponeses para assim construir estratégias para fortalecer o campesinato”.


Feira

Como parte das atividades, o MPA organizou também sua 1 Feira Cultural Camponesa. A feira já começou na noite do dia 24, com uma animada noite cultural recheada de muita cultura popular, onde várias apresentações teatrais, xaxado mirim, artistas locais e a participação especial de Pedro Munhoz deram o tom para o dia seguinte.


Durante todo o dia 25, a praça da matriz de Poço Redondo foi palco da rica diversidade da produção agroecológica camponesa de frutas, verduras, legumes, queijo, ovos, mel, comidas típicas, bordados, artesanatos, sementes crioulas, cordéis, e remédios naturais


Durante o momento da feira, ocorreram também oficinas de práticas agroecológicas como biofertilizantes, defensivos naturais, minhocário, produção agroecológica de leite, saúde do solo e feno.


Como estratégias para o fortalecimento da identidade e cultura camponesa foram feitas visitas pedagógicas com crianças e adolescentes da região no Teatro Raízes Nordestinas, no Centro Mestre Tonho, e na própria Feira Cultural.


As atividades encerraram com uma missa celebrando a fartura, a beleza e o poder do campesinato na região.


Para a militante do MPA, Rodjane Matos, a feira serviu para divulgar o que os camponeses produzem agroecologicamente, mesmo com as dificuldades do clima, e também como forma de reafirmar a identidade camponesa e a importância de sua organização no Movimento dos Pequenos Agricultores.


“Esta feira se configura como um momento importante para a construção da aliança camponesa e operária, do homem do campo e da cidade em prol da soberania alimentar do povo”, afirmou.