Por Scarlett Luzz 
Do coletivo de Juventude do MST DF

Fotos: Elissandro


A juventude camponesa do centro-oeste realizou o 1° Encontro da Juventude Sem Terra – DF e Entorno, entre os dias 12 a 14 de setembro. O encontro aconteceu no Assentamento Silvio Rodrigues, no município de Alto Paraíso de Goiás.


A atividade teve como objetivo a formação, o fortalecimento do coletivo nas áreas de acampamentos e assentamentos, e estimular a organização e o processo político e criativo da juventude do MST. O encontro reuniu cerca de 40 jovens de acampamentos e assentamentos de duas regionais do Estado, de Goiás e do Distrito Federal. 


Os debates organizados durante esses três dias giraram em torno de temas como o papel da juventude camponesa Sem Terra e os desafios que enfrentam em seu cotidiano, e a importância da agroecologia em suas vidas como forma de obtenção de renda e permanência no campo. Além de oficinas sobre a história e importância da agitação e propaganda, estêncil e rádio. 


Desafios


A juventude Sem Terra no DF e Entorno não se difere do restante do país e enfrentas inúmeros desafios. Durante o encontro, o mais citado foi a dificuldade de estudar e se manter na escola atrelada a obtenção de renda para a juventude do campo. Os Sem Terra defendem que no Campo tenha escolas públicas de qualidade, mas é preciso que o Estado garanta esse direito e atenda as demandas. 


David, que tem 19 anos e mora no Acampamento Oscar Niemeyer no DF, que carece de uma escola, relata sua experiência. “Parei de estudar porque não aguentava mais o sofrimento de transporte para chegar até a escola e o preconceito que eu sofria por ser do MST.”


Outro desafio discutido é a sustentabilidade e autonomia da juventude Sem Terra ao produzir em seus lotes junto com a família. Algumas soluções alternativas vêm sendo encontradas no sentido de se organizarem e fazer escoar a produção. 


“Nos reunimos semanalmente pra saber a quantidade de produtos que temos e vendemos na feira, como mudas, hortaliças e frutas produzidas por nós. Além de poder trocar e vender sementes que coletamos em nossa mata, assim conseguimos aumentar a renda da nossa família e ter um produto totalmente orgânico e saudável”, contou Stephanie, de 16 anos e moradora do Assentamento Sílvio Rodrigues. 


O Encontro foi uma oportunidade da juventude vivenciar e trocar experiências uns com os outros e também discutir a partir dos desafios o que é preciso ser feito como coletivo de juventude Sem Terra.