Do MAB


Os desafios para a soberania energética e alimentar do povo brasileiro foi tema do Seminário Atualidades e Perspectivas para o Modelo Energético Brasileiro que está sendo realizado na cidade do Rio de Janeiro pela Plataforma Operária e Camponesa da Energia.


Um dos destaques das intervenções foi a constatação de que as medidas neoliberais tomadas desde os anos 90 provocam e ainda provocarão graves consequências para a sociedade brasileira, sobretudo para as famílias mais pobres.


Marina Santos, militante do Movimento Sem Terra apresentou diversos dados neste sentido e afirmou que a “concentração da produção e comercialização dos alimentos nas mãos de poucas transacionais é uma ameaça à diversidade, à cultura e à saúde humana em nível global”.


Marina também fez um alerta sobre a produção de energia por meio de biocombustíveis que pode prejudicar a produção de alimentos que são essenciais para a segurança alimentar dos brasileiros. 


Jorge Antônio, membro da Fisenge, também apresentou dados sobre a agricultura brasileira demostrando a alta dependência que o Brasil tem dos fertilizantes internacionais que estão concentrados não mãos de poucas empresas. Ele falou sobre o desequilíbrio no investimento estatal na agricultura: enquanto a agronegócio recebeu R$115 bilhões em apenas um ano, a agricultura familiar recebeu R$22 bilhões.


“É preciso fazer a disputa e mostrar que, ao contrário do agronegócio, podemos produzir alimentos e energia de forma sustentável por meio da agroecologia”, afirmou Jorge.


Petróleo, gás natural e produção de alimentos 


Na mesa de debate desta terça – feira também esteve presente Helio Seidel, gerente de comunicação da Petrobras Biocombustíveis que apresentou diversos dados sobre a produção de biocombustíveis no Brasil, as principais fontes e os grandes projetos em fase de estudo e em implantação no país.


Julio Cezar Jeronimo dos Santos, representante da Petrobras Fertilizantes, apresentou os projetos da estatal para a produção de fertilizantes. Demonstrou os desafios para esta produção, principalmente feita do gás natural, como a falta de isenção de impostos e a difícil concorrência com os fertilizantes importados que ocupam 80% do mercado.


O Seminário Atualidades e perspectivas para o Modelo Energético Brasileiro continua nesta quarta-feira (10) com debates sobre os desafios da industrialização do petróleo no Brasil e a luta da classe trabalhadora na construção de um Projeto Energético Popular.