Da Página do MST


Entre os dias 10 a 16 de agosto, a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) realizou seu 7° Congresso Brasileiro de Geografia (CBG) na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), no Campus de Vitória.


O Congresso, que teve como tema central “A AGB e a Geografia brasileira no contexto das lutas sociais frente aos projetos hegemônicos”, foi marcado por intensas discussões sobre o próprio ensino de Geografia, debates sobre a Questão Urbana e Agrária, povos indígenas, gênero, Estado e políticas públicas, meio ambiente, dentre outros.


Mais de 1.200 trabalhos foram apresentados nos Espaços de Diálogos, voltado à construção de saberes coletivos e reflexões sobre os dilemas sociais e os desafios da Geografia nesse momento histórico.


O Congresso propõe definir os rumos da AGB para os próximos 10 anos, onde foi ressaltado o compromisso e o papel da geografia frente às contradições do desenvolvimento capitalista e os impactos causados sobre os povos indígenas, quilombolas, camponeses e os trabalhadores em geral.


Diante destas questões, foi destacado a importância da “AGB estar nas ruas” e de construir uma “geografia em movimento e dentro do movimento social”, relação fundamental para todas as áreas do conhecimento comprometido com as contradições sociais.


Nas ruas


Na quinta-feira (14), os participantes do 7° Congresso, junto ao MST, Levante Popular da Juventude e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), realizaram um ato que reuniu mais de 700 militantes e congressistas, ao saírem da sede da UFES e marcharem pela Avenida Nossa Senhora da Penha.


Ao longo da marcha, os participantes realizaram intervenções em frente à rede multinacional de supermercados WalMart, à Federação das Industrias do Espírito Santo (FINDES) e à sede da Petrobrás. Além de faixas e cartazes, foram entoados várias palavras de ordem em denúncia da ação dessas empresas.


Nas três paradas foram realizadas aulas públicas com o objetivo de dialogar com a sociedade capixaba os impactos dos projetos hegemônicos das grandes empresas sobre a população brasileira.


As falas dos movimentos sociais do campo em frente ao WalMart refletiram a utilização dos agrotóxicos na produção dos alimentos, que acaba contaminando a comida de toda a população.


Também denunciaram a padronização da alimentação e o monopólio das grandes redes de supermercados, que acumulam grandes lucros e concentram o comércio mundial de alimentos.


Em contrapartida, os movimentos colocaram a necessidade da realização da Reforma Agrária Popular para a produção de alimentos sem agrotóxicos, sob o viés da agroecologia, e oferecendo ao povo alimento barato e de boa qualidade.


Na aula pública em frente a FINDES, refletiu-se sobre os grandes projetos do Capital no Espírito Santo, como os portos, a expansão da produção de eucalipto e a concentração e estrangeirização das terras no estado.


O ato encerrou em frente ao prédio da Petrobrás, quando os Movimentos de Pescadores e Ribeirinhos, o Levante Popular da Juventude e os Povos Indígenas do estado denunciaram a atuação desta empresa, que nos últimos anos têm desestruturado comunidades locais.