Por Maura Silva
Da Página do MST

Desde o mês de julho, os jovens do MST vêm construindo a 5° Jornada da Juventude Sem Terra com o objetivo de ampliar e fortalecer os coletivos de juventude do campo.

Encontros com debates, ciclos de formação, intervenções artísticas e culturais e lutas no campo e na cidade têm sido algumas das formas da juventude Sem Terra aumentar sua capacidade organizativa. As atividades seguem ao longo do mês de agosto.

Para Raul Amorim, do Coletivo Nacional de Juventude do MST, esse é um período importante para intensificar a organização dos jovens frente à luta. 

“A Jornada da Juventude vem ganhando uma dimensão que vai além das atividades propostas. Estamos vendo crescer o protagonismo dos jovens do campo. São eles que estão comprometidos com as novas estratégias de luta, que tem como foco na distribuição de terra e também na construção de um novo modelo de produção sustentável, baseado na agroecologia”, explica.

Temas como o uso de agrotóxicos, exportação de commodities agrícolas, maior participação da juventude no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), menor burocracia nas políticas públicas com garantias de produção e geração de renda, autonomia financeira, assim como a denuncia do atual modelo de agronegócio são alguns dos temas colocados em pauta.

Já foram realizadas atividades em Santa Catarina, Bahia, Rondonia, Ceará, São Paulo, entre outros. Para os próximos dias, acontecerão encontros no Rio Grande do Norte, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Sul.

Juventude Sem Terra escracha uma casa de agrotóxicos durante a jornada em Rondônia

A jornada desse ano também traz a campanha pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte para Reforma Política. Segundo Raul, a juventude do MST está comprometida com a reforma do atual sistema político brasileiro. E essa luta passa pela votação do plebiscito. 

A votação, prevista para acontecer na semana da pátria, entre os dias 1 a 7 de setembro, pretende coletar 10 milhões de votos em todo o Brasil, e trará apenas uma única pergunta: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?”

Raul ressalta a importância de ações que envolvam a juventude do campo e da cidade na lógica negativa do capital. 

“O enfrentamento ao sistema capitalista só se dá por meio da educação, do cultivo das relações humanas, do combate a toda e qualquer forma de preconceito. A produção saudável do alimento, onde ele assume a sua posição de direito e não de mercadoria, faz parte desse processo”, acredita.

Segundo o Sem Terra, a ideia “é fazermos um grande mutirão da juventude pela Reforma Agrária”.