Da Página do MST


Nesta terça-feira (12), milhares de pessoas saíram às ruas em todo o Brasil no dia Nacional de Luta pelo Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.


Todos os estados do país realizaram alguma ação para popularizar a luta e dialogar com a população sobre a importância da sociedade comparecer às urnas, que serão espalhadas por todo o Brasil entre os dias 1 a 7 de setembro, e responder a uma única pergunta: “Você é a favor da convocação de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?”


Em São Paulo, cerca de mil pessoas ligadas a entidades, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos se juntaram no centro da cidade pela defesa do Plebiscito Constituinte.


Os marchantes percorreram as ruas do centro e seguiram até a Câmara dos Vereadores, onde uma faixa vertical com os dizeres “Plebiscito Já” tomou a fachada. A caminhada terminou na praça da Sé.


Para Raul Amorim, do coletivo nacional de juventude do MST, a luta pela ampliação da democracia brasileira e contra a subrepresentação nos espaços de poder vai além dos interesses de cada setor. 


Para ele, esse é o momento de “arregaçar as mangas” e desenvolver um amplo trabalho de base com a população para que seja possível realizar mudanças estruturais no país. 


Já o advogado Benedito Barbosa, o Dito, ligado aos movimentos de luta pela moradia, acredita que “sem mudarmos o sistema político, o que fazemos é atuar nos efeitos e não na causa. É fundamental que possamos fazer a reforma política no país para ampliar a desconcentração da terra e diminuir os conflitos sociais e fundiários, que representam a ponta do iceberg dos choques sociais. Assim, diminuiremos a criminalização dos movimentos sociais e o recrudescimento contra a pobreza”, avaliou.


Para os movimentos sociais, apenas a reforma política feita por um parlamento eleito exclusivamente com esse fim pode produzir uma representação real da sociedade brasileira no Congresso Nacional.


A intenção é conseguir mais de 10 milhões de votos, número atingido pelo plebiscito popular realizado em 2002 contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), considerado pelos movimentos a principal referência. 


Na época, a consulta teve a participação de 10.149.542 de cidadãos, dos quais 9.979.964 (98%) disseram não à assinatura do acordo com a Alca, de interesse dos Estados Unidos, que acabou sendo descartada em 2005, na Cúpula das Américas, realizada na Argentina.


Segundo as entidades que organizam o plebiscito, já foram instalados mais de 800 comitês em todos os estados brasileiros, sendo, aproximadamente, 150 em São Paulo. 


Júlio Turra, diretor Executivo da CUT, aponta que “a coleta dos votos parece difícil, mas basta perguntar às pessoas se estão satisfeitas com o atual sistema político. A resposta, em geral é não, porque esses políticos não nos representam”.


Turra destaca o fato de que quem “garante a eleição é o poder econômico, as grandes empresas que financiam as campanhas e fazem com que o político tenha o rabo preso com quem investiu”.