Por Vinicius Carvalho
Da Página do MST

Fotos: Leandro Taques


Dos cerca de 2,5 mil participantes da 13ª Jornada de Agroecologia, pouco mais da metade são jovens. Durante o encontro, foi realizada a 3ª edição da Assembleia da Juventude Sem Terra, que discutiu a importância desse grupo nas lutas e movimentos sociais.


Presente nas sete regiões do estado do Paraná e atuando na organização política desses espaços e no Projeto da Reforma Agrária Popular, a juventude busca nos acampamentos e assentamentos, nas escolas, grupos de esporte ou cultura, cooperativas, e especialmente nas ruas, fazer política a partir da auto-organização. Enxergar estes espaços privilegiados para a construção de experiências políticas é um dos aspectos que caracterizam a formação política desse sujeito.


Segundo Raul Amorim, da direção nacional da Juventude do MST, os jovens são um dos atores dinamizadores da sociedade, e demonstram os primeiros sinais de que o modelo de desenvolvimento que está sendo construído no país encontra-se no limite. 


“A juventude, ainda que de forma espontânea, é a primeira a colocar a cara a tapa, demonstrando que é necessário mudar a estrutura do país”, aponta. No MST, os jovens estão num processo intenso de luta contra o agronegócio, e na construção da agroecologia como um modelo produtivo e matriz tecnológica.


Nos últimos dez anos, cerca de 2 milhões de trabalhadores rurais saíram definitivamente do campo, e desses, mais de um milhão foram os jovens. Por isso, a juventude é a base dos que buscam permanecer no campo, desenvolver o modelo da agroecologia e fortalecer a cultura camponesa. 


“Estamos num período animador, em todo o país vemos uma retomada da luta histórica pela terra. A juventude e os filhos de assentados e acampados são protagonistas dessa luta”, conclui Raul.


Da assembleia, foram tirados alguns desafios, como formar coletivos da juventude nos espaços onde se organizam, lutar pela Reforma Agrária e garantir a articulação do campo e com a população da cidade.


Agenda 2014


No mês de junho, a Escola Estadual da Juventude do MST do Paraná conclui a sua 2ª turma, e já organiza a formação da próxima, para o semestre seguinte.


Em agosto, haverá a Jornada Nacional da Juventude Sem Terra, em sua 5ª edição. O objetivo é envolver todas as escolas, cooperativas e  junto a outras organizações da juventude.


Em outubro, quando se relembra a morte de Che Guevara, haverá uma semana de programação especial, com trabalho voluntário e seminários organizados pela juventude.


E em novembro, o Paraná sedia o Acampamento Internacional da Juventude, da Via Campesina, em Foz do Iguaçu, e espera-se a participação de 3 mil jovens de toda a América Latina.